Rural

Apoio para agricultores melhorarem seus solos

Programa Operação Terra Forte, do Governo do Estado, está com inscrições abertas para selecionar 15 mil pequenos produtores

Técnicos da Emater/RS-Ascar vão fazer um diagnóstico individual para cada um dos 15 mil beneficiários e montar um plano de ação individualizado ao longo de dois anos
Técnicos da Emater/RS-Ascar vão fazer um diagnóstico individual para cada um dos 15 mil beneficiários e montar um plano de ação individualizado ao longo de dois anos Foto : Vanessa Almeida de Moraes / EmaterRS-Ascar / Divulgação / CP

Estão abertas até 17 de outubro as inscrições a agricultores e pecuaristas familiares, indígenas, quilombolas, assentados para participar do Programa Operação Terra Forte, uma iniciativa da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e desenvolvida em parceria com a Emater/RS-Ascar para a recuperação e melhoraria dos solos de 15 mil unidades agrícolas gaúchas, cerca de 5% das propriedades familiares do Estado. As inscrições estão sendo realizadas nas unidades da Emater/RS-Ascar, e os interessados serão futuramente selecionados pelos conselhos agropecuários dos municípios em que residem para que os integrem o programa por um período de dois anos. O investimento inicial do programa é de R$ 300 milhões, provenientes do Fundo de Reconstrução do Rio Grande do Sul (Funrigs), integrante do Plano Rio Grande, liderado pelo governador Eduardo Leite.

As inscrições são abertas a todos os que têm ativos o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), a Declaração de Aptidão ao Pronaf (DAP) ou a Declaração de Pecuarista Familiar (DPF). Conforme o presidente da Emater/RS-Ascar, Luciano Schwerz, a escolha dos participantes nos conselhos locais se dará a partir de um manual operativo e seguindo critérios como sucessão rural, jovens e mulheres, entre outros. “Destes 15 mil produtores a distribuição é de acordo com o número de estabelecimentos da agricultura familiar de cada município, conforme cada município”, descreve o dirigente. A proposta do Programa Operação Terra Forte é que as propriedades atendidas se tornem futuramente unidades de referência e difusão a outras mais 150 mil unidades.

Diagnóstico individual

Na inscrição o produtor já esclarece quais as atividades que pratica e qual o eixo tecnológico do seu empreendimento que pretende desenvolver entre os seis eixos estabelecidos, a exemplo, sistema de plantio direto de grãos e hortaliças.

“Dentro disso faremos um diagnóstico, visitando este produtor, dialogando, coletando análise de solo, fazendo trincheiras para identificar compactação de solo, enviando análise de solo para laboratório para ver a composição química, entendendo todo o sistema de rotação deste produtor”, explica Schwerz.

“Pretendemos fazer um diagnóstico individual para cada um dos 15 mil beneficiários e, a partir deste diagnóstico, vamos montar um plano de ação individualizado ao longo de dois anos”.

Depois o agricultor recebe um cartão cidadão com o valor de R$ 30 mil a fundo perdido para a aquisição de insumos necessários à implantação individual do plano. “Ou seja, se a gente fizer um trabalho e identificarmos que ele precisa corrigir o pH, aplicando calcário, que ele precisa colocar um fertilizante NPK, colocar um bioinsumo ou uma planta de cobertura, este plano será discutido com o produtor, e ele vai quantificar os insumos e fazer a compra destes insumos, e acompanharemos a implantação e implementação destas práticas e produtos”, descreve.

Exemplo para vizinhos

Além disso, acrescenta, haverá acompanhamento das práticas de manejo e conservação de solo e da água, os cuidados com o meio ambiente, recomposição de mata ciliar e a organização da propriedade rural. “É um trabalho que o foco na melhoria do solo, práticas para melhorar a qualidade do solo e organizar a propriedade, porque cada uma das 15 mil propriedades será uma unidade de referência que depois, lá no futuro, daqui a dois anos, quando estas práticas estiverem consolidadas para mostrar aos vizinhos, à comunidade, como aquele produtor conseguiu melhorar o seu sistema”, argumenta Schwerz. “O quanto isso está repercutindo em aumento de produção, em estabilidade produtiva, em renda para o produtor”, acrescenta.

Depois dos dois anos, os produtores, que já são assistidos pela extensão rural, seguirão sendo acompanhados. “Nós queremos, além de acompanhar na implantação dos programas, monitorar o desempenho destas propriedades, porque um ponto muito importante do programa são os dados, as informações que estarão sendo geradas, e estes dados e informações vão servir de base para nortear as políticas públicas no futuro”, menciona Schwerz. “Ou seja, serão indicadores que vão dizer ‘olha, para cada real que investimos, tivemos o retorno de tanto’”, afirma. “Qual foi o tempo para retornar o investimento, e isso vai abastecendo também a própria política pública, porque é um programa de Estado, aprovado pela Assembleia Legislativa, e pode ser um programa perene e a gente espera que seja consolidado”, projeta.

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