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Aviação agrícola entra em pauta na Assembleia Legislativa

Proposta assinada por 24 deputados oferece garantia jurídica à atividade no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, pioneiro no setor da aviação agrícola no Brasil, 60 empresas operam uma frota de 421 aeronaves
No Rio Grande do Sul, pioneiro no setor da aviação agrícola no Brasil, 60 empresas operam uma frota de 421 aeronaves Foto : Sindag / Divulgação / CP

Com a assinatura de 24 dos 55 deputados da Assembleia Legislativa do Estado, o Projeto de Lei (PL) 442/23, que declara a Aviação Agrícola como de relevante interesse social, público e econômico no Rio Grande do Sul, deverá ser votado no plenário da Casa nesta terça-feira, 3. O efeito imediato da proposta, apresentada pelo deputado Marcus Vinicius de Almeida, é impedir a eventual proibição da atividade no RS, a exemplo do que já ocorreu no Ceará.

“O exercício e emprego da aviação agrícola é livre, autorizado e garantido em todo o território do Estado do Rio Grande do Sul, observadas as normas legais e regulatórias pertinentes”, diz o texto aprovado, em abril, pela Comissão de Constituição e Justiça e, em outubro, pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Pesca e Cooperativismo do Legislativo. Inicialmente, a previsão era de que a votação em plenário ocorresse na primeira quinzena de novembro, mas foi adiada em razão de prioridade de outras proposições.

Para Marcus Vinicius, reconhecer a aviação agrícola é uma maneira de superar preconceitos e valorizar uma atividade essencial para o Estado.

Na oposição ao projeto, o deputado Adão Pretto Filho (PT) salienta que a pulverização de agrotóxicos por meio de aviões, além de lidar com substâncias prejudiciais à saúde humana e ao meio ambiente, oferece riscos pela deriva dos produtos.

“Essa é a nossa crítica. A maioria do produto não vai para onde deveria ir. Vai para os vizinhos”, disse Adão Pretto.

No Rio Grande do Sul, pelo menos um município, Nova Santa Rita, já proibiu o uso do recurso justamente em razão da deriva. Na localidade, a agricultura orgânica é predominante, de acordo com Adão Pretto, que reapresentou ao Legislativo gaúcho o Projeto de Lei nº 289/2023. A proposição veda a pulverização por meio de aviões e regulamenta a utilização de drones para a finalidade.

Controle total

O diretor-executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag), Gabriel Colle, considera que a crítica decorre de falta de conhecimento. Conforme o dirigente, a tecnologia empregada em aviões, drones e tratores para pulverização das substâncias é a mesma e permite “controle de cem por cento da aplicação”.

“Isso realmente é uma falta de conhecimento e de lógica. Respeitando todas as condições de aplicação, as condições climáticas, de temperatura, de bula de produtos, vai dar tudo certo. Nós temos milhões de aplicações acontecendo no Brasil todos os dias e são raríssimos os casos comprovados de problemas”, acrescenta Gabriel Colle.

O Sindag contabiliza 421 aviões no Rio Grande do Sul, operados por 60 empresas do segmento. “O Rio Grande Sul é o estado que mais tem empresa do setor no Brasil”, afirma Colle, lembrando que a frota gaúcha é a segunda do país, atrás do Mato Grosso, que tem cerca de 600 aeronaves. O RS também foi pioneiro na implantação da atividade no Brasil, em 1947.

Colle destaca ainda que os predicados técnicos da ferramenta são determinantes para o uso racional de insumos nas lavouras, utilizando 90% menos água, com menor chance de necessitar de retrabalho. “Lembrando que os pilotos agrícolas atuam também na recuperação de pastagens, bem como no combate a incêndios em vegetação”, diz o diretor-executivo do Sindag.

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