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Boa relação entre EUA e China melhora os preços da soja

Como reflexo os prêmios no Brasil caíram, mas, em compensação, o produto brasileiro ficou mais competitivo

Na semana passada os preços do grão no mercado brasileiro apresentaram poucas oscilações
Na semana passada os preços do grão no mercado brasileiro apresentaram poucas oscilações Foto : Carlos Lásaro/Embrapa/Divulgação/CP

O mercado da soja na Bolsa de Chicago tem reagido positivamente às relações mais amistosas entre os Estados Unidos e China após os impasses com o “tarifaço” de Trump contra Pequim. Na segunda-feira, a alta da commodity chegou a 33 centavos, para US$ 11,57 o bushel na venda futura para janeiro de 2026.

“O mercado de soja tem sido muito movimentado pela relação entre China e EUA. Relatos de vendas e cargas mais consideráveis de soja norte-americana para a China, o que explica a alta significativa”, explica a situação Ana Luiza Lodi, Especialista de Inteligência de Mercado da StoneX. Mas na terça-feira as cotações já apresentam uma leve queda (para US$ 11,50), num movimento de acomodação após os ganhos de segunda, avalia Ana Luiza.

"Na terça e na quarta, os futuros da soja em Chicago recuaram. Mesmo com a continuidade dos anúncios de vendas de soja dos EUA para a China, o mercado ainda está cauteloso quanto aos volumes”, descreve. “Ainda falta muita soja a ser negociada para se atingir as 12 milhões de toneladas que estariam previstas até o começo de 2026 no acordo entre os dois países”.

E as cotações podem manter a trajetória de alta. “A possibilidade de subir mais depende de a China continuar comprando maiores volumes de soja dos EUA, o que não faz muito sentido ao se levar em conta que a soja brasileira está mais competitiva. De maneira geral, o balanço de oferta e demanda de soja continua bastante confortável”, complementa.

A subida no início da semana provocou efeitos no mercado brasileiro.

“Com a alta em Chicago, os prêmios no Brasil recuam, o que foi observado após a forte alta de segunda Essa situação contribui para manter a soja brasileira competitiva, mesmo num momento de entressafra por aqui”, complementa.

A especialista ainda avaliou o momento econômico por que passam os produtores brasileiros, sobretudo em relação às vendas futuras. “O produtor, no geral, está bem capitalizado e consegue segurar um pouco as vendas, esperando os melhores momentos de CBOT, prêmio e câmbio para negociar”, descreve.

“Mas o lado vendedor também observa o mercado e ajuda a explicar a negociação mais travada, diante da expectativa de uma nova safra recorde no Brasil, aumentando a disponibilidade no começo do ano, pressionando preços e, lembrando que o Brasil não tem armazenagem suficiente”, acrescenta Ana Luiza.

Expectativa de mais subida

Na semana passada, segundo a consultoria Safras & Mercado, os preços do grão no mercado brasileiro apresentaram poucas oscilações, período também marcado por uma discreta melhora na comercialização. A semana teve estabilidade nos prêmios, contratos futuros subindo em Chicago e dólar perdendo valor frente ao real.

“Mesmo com Chicago positivo, há um spread elevado entre as bases de compra e venda, o que prejudica a retomada dos negócios com mais força. Os produtores estão apostando em cotações ainda melhores e seguram a oferta, com as atenções voltadas para o desenvolvimento das lavouras”, destacou a consultoria.

Segundo Safras & Mercado, o término da paralisação do governo americano trouxe impulso ao mercado, em decorrência da menor aversão ao risco no financeiro, colaborando pela procura de investimentos como as commodities. E houve a retomada da divulgação de importantes dados do agro americano, como, na sexta-feira, do relatório de novembro de oferta e demanda.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vai divulgar um compilado com as vendas diárias realizadas por exportadores privados durante o período da paralisação. “Os agentes procuram por sinais de como se comportou a compra por parte dos chineses, principalmente após o acordo anunciado entre Pequim e Washington, que envolvia a promessa de compra de 12 milhões de toneladas de soja americana por parte dos asiáticos. Há ainda muitas dúvidas sobre essa retomada”, explicou a consultoria.

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