A quarta revolução agrícola começa pela água, mesmo quando a chuva não vem. O alerta é do vice-presidente de Agricultura, no Brasil, da Valmont Industries, Cristiano Del Nero.
O dirigente pontuou durante a Agrishow 2025, em Ribeirão Preto (SP), que o uso racional dos recursos hídricos, a segurança contra a imprevisibilidade do clima e a produção de mais de uma safra na mesma área são os motivos para uma nova transformação do campo a partir de uma irrigação assertiva.
Sua prática amparada na ciência, dependendo do tipo de cultura, pode até quadruplicar a produtividade de uma lavoura sem ter que duplicar a área de semeadura.
“Nenhuma gota (de água) é para ser desperdiçada”, advertiu o dirigente, recordando a estiagem que assolou parte do Rio Grande do Sul nos meses do verão da atual safra.
Segundo Del Nero, o Estado gaúcho é o que mais tem irrigação por equipamento de elevação e ou aspersão em sistemas móveis ou suspensos do país.
“Mas ainda falta uma infraestrutura de energia e distribuição e existe um descolamento entre quem faz as regras e a indústria para viabilizar (a irrigação)”, afirmou.
O executivo destaca também certa burocracia e ineficiência geral no país, que acaba prejudicando o produtor rural na obtenção do financiamento necessário em programas do poder público no momento de alinhar as garantias para a liberação de crédito.
Fatia gaúcha
De acordo com o Del Nero, o Rio Grande do Sul representa em torno de 25% do mercado da Valmont Industries no Brasil. A empresa norte-americana é detentora da marca Valley. No restante do país, a participação sobe para 50%
A supervisora comercial no Sul do país da Valley, Heloísa de Gois, cita dados da Embrapa para explicar que a área por pivôs centrais no Estado era de aproximadamente 190 mil hectares em 2022 e 205 mil hectares em 2024 – crescimento estimado de 5% ao ano.
Em contrapartida, recorda os eventos climáticos extremos da enchente de maio de 2024 e a estiagem recente que prejudicou os sojicultores e a produtividade das suas lavouras.
“As médias nem chegam a 15 ou 20 sacas por hectare. Não pagam nem o arrendamento da terra. Mas com a irrigação esse cenário é diferente”, assegura Heloísa.
Conforme Heloísa, desde a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, em março, a procura dos produtores por informação sobre soluções de irrigação tem sido crescente.
“Observamos, sobretudo os produtores já irrigantes, que já entendem a despesa inicial do seu projeto voltando a investir”, detalhou, acrescentando que o pivô não se baseia apenas na compra do equipamento mas também na legalização ambiental e na estrutura de energia da propriedade.
A supervisora comercial observa que a procura de produtores que pretendem iniciar na prática é menor, pois ele ainda se encontra resguardado de novos investimentos apesar de iniciativas como o Supera Estiagem do governo do Rio Grande do Sul.
“O produtor tem muita esperança sobre esse plano e está contando com isso para o seu investimento na irrigação”, sinaliza a supervisora.
Heloísa pontua que a procura tem sido maior na região das Missões, que tem se destacado como polo de irrigação no Estado, assim como a região de Cruz Alta.
“Mas nós sentimos o aumento do interesse no Noroeste do Rio Grande do Sul. Palmeira das Missões vem se tornando consolidada na irrigação com produtores apostando na tecnologia”, finaliza a empresária.