Rural

Busca por irrigação aumenta no RS

Na Agrishow, representantes da Valley afirmaram que o produtor gaúcho quer investir em soluções

Produtores do Noroeste do Rio Grande do Sul têm se destacado no interesse pelos investimentos em irrigação, de acordo com a supervisora comercial no Sul do país da Valley, Heloísa de Gois
Produtores do Noroeste do Rio Grande do Sul têm se destacado no interesse pelos investimentos em irrigação, de acordo com a supervisora comercial no Sul do país da Valley, Heloísa de Gois Foto : Daniel Navarro / Valley / CP

A quarta revolução agrícola começa pela água, mesmo quando a chuva não vem. O alerta é do vice-presidente de Agricultura, no Brasil, da Valmont Industries, Cristiano Del Nero.

O dirigente pontuou durante a Agrishow 2025, em Ribeirão Preto (SP), que o uso racional dos recursos hídricos, a segurança contra a imprevisibilidade do clima e a produção de mais de uma safra na mesma área são os motivos para uma nova transformação do campo a partir de uma irrigação assertiva.

Sua prática amparada na ciência, dependendo do tipo de cultura, pode até quadruplicar a produtividade de uma lavoura sem ter que duplicar a área de semeadura.

“Nenhuma gota (de água) é para ser desperdiçada”, advertiu o dirigente, recordando a estiagem que assolou parte do Rio Grande do Sul nos meses do verão da atual safra.

Segundo Del Nero, o Estado gaúcho é o que mais tem irrigação por equipamento de elevação e ou aspersão em sistemas móveis ou suspensos do país.

“Mas ainda falta uma infraestrutura de energia e distribuição e existe um descolamento entre quem faz as regras e a indústria para viabilizar (a irrigação)”, afirmou.

O executivo destaca também certa burocracia e ineficiência geral no país, que acaba prejudicando o produtor rural na obtenção do financiamento necessário em programas do poder público no momento de alinhar as garantias para a liberação de crédito.

Fatia gaúcha

De acordo com o Del Nero, o Rio Grande do Sul representa em torno de 25% do mercado da Valmont Industries no Brasil. A empresa norte-americana é detentora da marca Valley. No restante do país, a participação sobe para 50%

A supervisora comercial no Sul do país da Valley, Heloísa de Gois, cita dados da Embrapa para explicar que a área por pivôs centrais no Estado era de aproximadamente 190 mil hectares em 2022 e 205 mil hectares em 2024 – crescimento estimado de 5% ao ano.

Em contrapartida, recorda os eventos climáticos extremos da enchente de maio de 2024 e a estiagem recente que prejudicou os sojicultores e a produtividade das suas lavouras.

“As médias nem chegam a 15 ou 20 sacas por hectare. Não pagam nem o arrendamento da terra. Mas com a irrigação esse cenário é diferente”, assegura Heloísa.

Conforme Heloísa, desde a Expodireto Cotrijal, realizada em Não-Me-Toque, em março, a procura dos produtores por informação sobre soluções de irrigação tem sido crescente.

“Observamos, sobretudo os produtores já irrigantes, que já entendem a despesa inicial do seu projeto voltando a investir”, detalhou, acrescentando que o pivô não se baseia apenas na compra do equipamento mas também na legalização ambiental e na estrutura de energia da propriedade.

A supervisora comercial observa que a procura de produtores que pretendem iniciar na prática é menor, pois ele ainda se encontra resguardado de novos investimentos apesar de iniciativas como o Supera Estiagem do governo do Rio Grande do Sul.

“O produtor tem muita esperança sobre esse plano e está contando com isso para o seu investimento na irrigação”, sinaliza a supervisora.

Heloísa pontua que a procura tem sido maior na região das Missões, que tem se destacado como polo de irrigação no Estado, assim como a região de Cruz Alta.

“Mas nós sentimos o aumento do interesse no Noroeste do Rio Grande do Sul. Palmeira das Missões vem se tornando consolidada na irrigação com produtores apostando na tecnologia”, finaliza a empresária.

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