Rural

Carne de frango tem alta de 7% na Região Metropolitana

Dificuldades logísticas e de acesso a recursos para reconstrução do setor afetam preços da proteína ao consumidor

Setor avícola foi um dos mais atingidos pela catástrofe climática ocorrida em maio
Setor avícola foi um dos mais atingidos pela catástrofe climática ocorrida em maio Foto : Lucas Scherer / Embrapa / CP

Um dos setores mais atingidos pelas chuvas e enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, o setor avícola segue enfrentando dificuldades que afetam o preço da proteína ao consumidor. A avaliação é do presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos. Além de enfrentar a continuidade de desafios logísticos, produtores e indústrias reclamam da demora e da burocracia para acessar recursos anunciados pelo governo federal para a reconstrução do Estado. De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo houve um aumento de 7,05% no preço do frango em pedaços na Região Metropolitana de Porto Alegre. O índice é oito vezes superior à inflação registrada na região (0,87%).

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Para Santos, a alta é consequência das estradas e pontes destruídas pelas águas, provocando atrasos ou mesmo impedindo o escoamento da produção e o abastecimento de insumos. O presidente da Asgav prevê um período de dois ou três meses antes de haver uma redução da pressão sobre os preços. “Vimos isso em outras crises, como a greve de caminhoneiros, no passado, e a pandemia. Há um momento de instabilidade, que acaba mudando a oferta e a procura e gerando alteração de preços. O preço vai se estabilizar. O aumento também foi necessário para evitar que o setor parasse ou reduzisse mais ainda a produção”, diz Santos.

Um levantamento preliminar da Organização Avícola do Rio Grande do Sul (O.A.RS), divulgado no final de maio, apontou um prejuízo de R$ 182,9 milhões à avicultura gaúcha em danos em aviários, unidades de processamento e frigoríficos. Os estragos mais significativos foram registrados no Vale do Taquari e da Serra, importantes polos de produção do setor.

Sem dinheiro

Santos diz receber queixas tanto da indústria quanto de produtores diante de entraves burocráticos para liberação de recursos anunciados pelo Palácio do Planalto. “Há dificuldade de acesso rápido, que é o que pedimos e precisamos, e uma análise que não tem garantido o acesso ao crédito. Isso preocupa o setor neste momento atípico. Estamos pedindo celeridade e um processo menos burocrático na análise de pedidos para recuperação de empresas”, afirma. De acordo com o dirigente, “empresas e produtores afetados geraram muita riqueza para o Estado e para a União. Agora, precisam de amparo para continuar gerando essas divisas”.