A certificação da qualidade do processo de produção da erva-mate é uma ferramenta para aperfeiçoar a indústria ervateira, fortalecer a confiança dos consumidores e agregar valor ao produto gaúcho. Desenvolvido pela Emater/RS-Ascar, o sistema estabelece critérios de avaliação que permitem às ervateiras acompanhar a qualidade da produção, identificar falhas e promover melhorias contínuas. Atualmente, cinco empresas possuem a certificação no Rio Grande do Sul, enquanto outras três estão em processo de adequação.
Segundo o extensionista rural Deniandro Rocha, engenheiro-agrônomo e auditor do sistema de certificação da erva-mate, o principal objetivo é garantir que as empresas tenham controle sobre todas as etapas da produção. O acompanhamento permite identificar possíveis irregularidades, como a presença de matérias estranhas ou contaminações microbiológicas, e adotar medidas corretivas antes que os problemas se repitam.
"O mais importante da certificação é a ervateira ter um sistema de gestão da qualidade, para acompanhar a qualidade real do produto e poder fazer melhorias contínuas", explica Rocha.
O processo de certificação voluntária inclui a verificação de 150 itens previstos no manual da qualidade, além da avaliação da rastreabilidade dos produtos. Cada lote comercializado com o selo pode ser rastreado até a propriedade de origem, permitindo identificar em qual etapa ocorreu uma eventual falha e corrigir o problema. As empresas passam por auditorias anuais, e amostras são coletadas duas vezes por ano para análises laboratoriais, que verificam se a erva-mate atende aos parâmetros de qualidade estabelecidos pelo sistema.
Impulso às vendas
Além de aprimorar os processos industriais, a certificação pode contribuir para o desempenho comercial das ervateiras. Segundo Rocha, levantamentos realizados com empresas certificadas um ano após o início da utilização do selo de qualidade, indicam aumentos nas vendas que variam de 15% a 30%.
A certificação também oferece maior segurança às empresas em relação ao cumprimento das exigências legais, especialmente nas áreas sanitária e de segurança do trabalho. Com processos mais organizados e critérios técnicos definidos, as agroindústrias conseguem identificar necessidades de adequação e reduzir riscos de autuações, multas e interdições.
A qualificação técnica também é importante para preservar as características tradicionais da erva-mate produzida em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Um exemplo é Palmeira das Missões, reconhecida pela tradição ervateira e pelas particularidades de sabor associadas às variedades cultivadas, às características do solo e aos métodos de preparo.
Segundo Rocha, a região reúne numerosas ervateiras de pequeno porte, muitas delas familiares, que enfrentam desafios para ampliar a profissionalização e investir em infraestrutura. Nesse contexto, a realização de cursos de boas práticas de fabricação contribui para que os empreendimentos conheçam as exigências legais e fortaleçam sua atuação no mercado, mesmo quando ainda não possuem a certificação.
"É importante que essas pessoas saibam o que é necessário para estarem adequadas à legislação, independentemente de se certificarem ou não. Isso é fundamental para que possam se manter no mercado e preservar a tradição do sabor da erva-mate de Palmeira", afirma.
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