Rural

Certificação da erva-mate fortalece qualidade e valoriza produção gaúcha

Cinco empresas já conquistaram reconhecimento e três estão em processo de adequação a sistema de avaliação desenvolvido pela Emater/RS-Ascar

Projeto busca garantir que as ervateiras tenham controle sobre todas as etapas da sua produção
Projeto busca garantir que as ervateiras tenham controle sobre todas as etapas da sua produção Foto : Ilvandro Barreto/Emater/RS-Ascar

A certificação da qualidade do processo de produção da erva-mate é uma ferramenta para aperfeiçoar a indústria ervateira, fortalecer a confiança dos consumidores e agregar valor ao produto gaúcho. Desenvolvido pela Emater/RS-Ascar, o sistema estabelece critérios de avaliação que permitem às ervateiras acompanhar a qualidade da produção, identificar falhas e promover melhorias contínuas. Atualmente, cinco empresas possuem a certificação no Rio Grande do Sul, enquanto outras três estão em processo de adequação.
Segundo o extensionista rural Deniandro Rocha, engenheiro-agrônomo e auditor do sistema de certificação da erva-mate, o principal objetivo é garantir que as empresas tenham controle sobre todas as etapas da produção. O acompanhamento permite identificar possíveis irregularidades, como a presença de matérias estranhas ou contaminações microbiológicas, e adotar medidas corretivas antes que os problemas se repitam.

"O mais importante da certificação é a ervateira ter um sistema de gestão da qualidade, para acompanhar a qualidade real do produto e poder fazer melhorias contínuas", explica Rocha.

O processo de certificação voluntária inclui a verificação de 150 itens previstos no manual da qualidade, além da avaliação da rastreabilidade dos produtos. Cada lote comercializado com o selo pode ser rastreado até a propriedade de origem, permitindo identificar em qual etapa ocorreu uma eventual falha e corrigir o problema. As empresas passam por auditorias anuais, e amostras são coletadas duas vezes por ano para análises laboratoriais, que verificam se a erva-mate atende aos parâmetros de qualidade estabelecidos pelo sistema.

Impulso às vendas

Além de aprimorar os processos industriais, a certificação pode contribuir para o desempenho comercial das ervateiras. Segundo Rocha, levantamentos realizados com empresas certificadas um ano após o início da utilização do selo de qualidade, indicam aumentos nas vendas que variam de 15% a 30%.
A certificação também oferece maior segurança às empresas em relação ao cumprimento das exigências legais, especialmente nas áreas sanitária e de segurança do trabalho. Com processos mais organizados e critérios técnicos definidos, as agroindústrias conseguem identificar necessidades de adequação e reduzir riscos de autuações, multas e interdições.
A qualificação técnica também é importante para preservar as características tradicionais da erva-mate produzida em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Um exemplo é Palmeira das Missões, reconhecida pela tradição ervateira e pelas particularidades de sabor associadas às variedades cultivadas, às características do solo e aos métodos de preparo.
Segundo Rocha, a região reúne numerosas ervateiras de pequeno porte, muitas delas familiares, que enfrentam desafios para ampliar a profissionalização e investir em infraestrutura. Nesse contexto, a realização de cursos de boas práticas de fabricação contribui para que os empreendimentos conheçam as exigências legais e fortaleçam sua atuação no mercado, mesmo quando ainda não possuem a certificação.

"É importante que essas pessoas saibam o que é necessário para estarem adequadas à legislação, independentemente de se certificarem ou não. Isso é fundamental para que possam se manter no mercado e preservar a tradição do sabor da erva-mate de Palmeira", afirma.

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