Conselho de Agrometeorologia oferece sugestões técnicas para os cultivos de verão

Conselho de Agrometeorologia oferece sugestões técnicas para os cultivos de verão

Órgão divulgou nesta sexta-feira, 20, o boletim trimestral com análise do clima para primeiro período de 2025

No verão, lavouras de grãos como soja e milho, exigem atenção com a densidade das plantações.

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Evitar semeadura com alta densidade de plantas na lavoura de grãos de verão, e, no caso do arroz, racionalizar o uso de água disponível, por meio de técnicas de manejo. Na fruticultura, manter a vegetação de cobertura de solo, espontânea ou cultivada, associado ao manejo em linha e entrelinha. Para os canteiros de hortaliças, ter atenção com a irrigação, preferencialmente por gotejamento. Finalmente, para a produção animal, promover a manutenção da cobertura de solo. Essas são algumas das recomendações (veja abaixo a lista completa) Conselho Permanente de Agrometeorologia Aplicada do Estado do Rio Grande do Sul (Copaaergs), divulgadas nesta sexta-feira, 20, no boletim trimestral do órgão, em relação aos cultivos de verão de 2025.

O estudo apresenta um prognóstico detalhado para os meses de janeiro, fevereiro e março, com indicação de chuvas entre normal a ligeiramente abaixo da média no Rio Grande do Sul, especialmente no mês de fevereiro. As previsões apresentadas pelo boletim são baseadas no modelo estatístico do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). De acordo com Copaaergs, a eventual ocorrência do fenômeno La Niña será de fraca intensidade no próximo trimestre.

“Para janeiro e março, volumes (de chuva) acima da média podem ocorrer nas áreas mais a Norte e Nordeste e Litoral Norte do Rio Grande do Sul, com volumes um pouco abaixo nas demais áreas do Centro para o Oeste do Estado. Estiagem e tempo mais seco são possíveis, especialmente em fevereiro e parte de março, entre a área que vai da Campanha, Oeste, Noroeste e Centro do Estado”, diz o texto.

O clima de verão será marcado pela variabilidade entre os meses, com chuvas localizadas e temporais mais frequentes no Norte e Nordeste e extremo Sul do RS, enquanto que nas outras áreas pode haver períodos mais prolongados de tempo relativamente seco, especialmente do Centro para o Oeste-Sudoeste do Estado.

As temperaturas do ar no trimestre ficam acima da média, especialmente na metade Norte do estado. Variam de normal a ligeiramente acima da média entre janeiro e fevereiro, com eventuais passagens de frente frias e incursões de ar frio que amenizam as temperaturas, especialmente na Metade Sul. Maior aquecimento do ar é esperado entre fevereiro e especialmente no mês de março de 2025.

O boletim do Copaaergs é elaborado a cada três meses por especialistas em Agrometeorologia de 16 entidades estaduais e federais ligadas à agricultura ou ao clima. O órgão é coordenado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

As dicas do Copaaergs

Grãos de verão

Para reduzir a competição por água no solo, evitar semeadura com altas densidades de plantas

Fazer adubação em cobertura quando o solo apresentar umidade adequada ou quando houver previsão de ocorrência de precipitação pluvial.

Reservar água para irrigação, priorizando os períodos críticos da cultura: floração e enchimento de grãos.

Se houver demanda por alimentação animal, poderá ser realizada semeadura de milho para obtenção de silagem.

Atentar para o monitoramento da cigarrinha do milho, realizando o controle conforme orientação técnica.

Nas semeaduras tardias de soja, utilizar, preferencialmente, cultivares de ciclo longo, e respeitar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático.

Atentar para o controle de doenças, especialmente a ferrugem asiática da soja, principalmente em períodos com temperaturas amenas e alta umidade do ar e/ou molhamento foliar.

Arroz irrigado

Racionalizar o uso da água disponível através de técnicas de manejo adequadas, tais como movimentação mínima da água nos quadros e manutenção de baixas lâminas de água.

Em função do prognóstico de alta disponibilidade de radiação solar ajustar a adubação nitrogenada em cobertura de acordo com as recomendações técnicas para as diferentes faixas de produtividade.

Fruticultura

Manter a vegetação de cobertura do solo, espontânea ou cultivada, associado às práticas de manejo na linha e na entrelinha, de forma a preservar a umidade do solo e evitar processos erosivos, principalmente em áreas com declividade elevada.

Em função do aumento das temperaturas do ar típica do período e do prognóstico de precipitação que favoreçam o molhamento de folhas/frutos, especialmente nos meses de janeiro e março, dar atenção para o manejo fitossanitário.

Controlar o excesso de crescimento vegetativo das frutíferas especialmente em áreas com desequilíbrio entre desenvolvimento vegetativo e produtivo.

Em pomares em produção, na possibilidade de irrigar, priorizar métodos de irrigação localizados (gotejamento ou micro aspersão).

Considerando a variabilidade das condições meteorológicas neste período, dar atenção especial para monitoramento da maturação para definir o ponto adequado de colheita.

Hortaliças

O prognóstico de precipitação próxima ou abaixo da média requer atenção quanto à necessidade de irrigação, que deve, preferencialmente, ser realizada via sistema de gotejamento, que apresenta melhor eficiência de uso da água.

Mediante o prognóstico de temperaturas do ar próximas ou ligeiramente acima do padrão climatológico (especialmente em fevereiro e março) recomenda-se proceder ao manejo de abertura de laterais em ambientes protegidos (túneis e estufas), o mais cedo possível, evitando aumento excessivo da temperatura do ar no período diurno no ambiente interno dos abrigos.

Se possível, usar telas sombreadoras ou refletoras sobre o dossel de plantas para reduzir a incidência de radiação solar e, consequentemente, a temperatura do ar próxima ao dossel.

Silvicultura

Adequar o manejo florestal, considerando a possibilidade de precipitação pluvial abaixo da média climatológica.

Pastagens e produção animal

Considerando o prognóstico de precipitação abaixo e ou próximo a media climatológica, promover a manutenção da cobertura de solo e de boa disponibilidade de forragem, ajuste da lotação animal conforme o crescimento da pastagem para otimizar os recursos disponíveis.

Aumentar o estoque de forragens na propriedade seja no campo (redução da carga animal e diferimento de potreiros), seja através de forragens conservadas (feno ou silagem).

Utilizar suplementações estratégicas para as categorias dos rebanhos mais necessitados nos períodos em que ocorrerem redução de disponibilidade de forragem.

Quando possível, indica-se a irrigação de pastagens cultivadas nos períodos de menor precipitação.

Devido às temperaturas do ar elevadas nesse período, e prognóstico de ondas de calor, o produtor deve ficar atento, pois as condições podem acarretar estresse térmico aos animais, principalmente para vacas de alta produção de leite.

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