Rural

Cooperativa na Serra Gaúcha aposta em uvas exóticas para novos rótulos

Variedades resultam de anos de pesquisas e adaptação ao terroir local

No ano passado a Cooperativa Vinícola Garibaldi lançou o primeiro rótulo com a uva Palava, da República Tcheca, resultado do projeto experimental
No ano passado a Cooperativa Vinícola Garibaldi lançou o primeiro rótulo com a uva Palava, da República Tcheca, resultado do projeto experimental Foto : Cesar Silvestro / Vinícola Garibaldi / CP

Uma nova uva está chegando aos cálices no Rio Grande do Sul. Na Serra Gaúcha, a Cooperativa Vinícola Garibaldi abre espaço para novas experiências de sabor com a variedade Irsai Oliver. De origem húngara, trata-se, portanto, de uma variedade exótica no Estado e também sem comparativos no Brasil. O enólogo e porta-voz, Ricardo Morari, adianta que o primeiro rótulo, um branco monovarietal, será lançado no próximo mês. Resultado de cinco anos de pesquisas a partir do plantio das primeiras mudas em um vinhedo experimental no município de Santa Tereza.

Segundo Morari, a ideia nasceu de uma viagem técnica à Vivai Cooperativi Rauscedo (VCR), na Itália. “Anualmente, vamos, já há alguns anos, visitar a cooperativa parceira e iniciamos a conversa de fazer experimentos no Brasil de uvas potenciais surgindo na Europa (menos de 50 anos) e que poderiam ter condições de adaptação também aqui”, explicou. “Trouxemos as primeiras mudas, começamos a testar em campo e acompanhar a adaptação delas às nossas condições climáticas, de solo e de relevo”, contou, destacando que o fornecimento foi realizado pela VCR.

O projeto do viveiro experimental teve início em 2019, com as pesquisas contemplando a resistência à doenças e também a produtividade. No ano passado, a Cooperativa Vinícola Garibaldi lançou o primeiro rótulo decorrente dos experimentos com a uva Palava, da República Tcheca. Mas também estão sendo testadas outras variedades da Europa, com origem da própria Itália, Portugal, Espanha, Geórgia, Ucrânia, Romênia e Grécia.

“Além do vinhedo experimental, da questão de adaptação ao clima, passamos também a desenvolver um trabalho de vinificação (processo de produção de vinho da colheita da uva até o engarrafamento do produto final) em pequena escala para entender o comportamento enológico das uvas. Isso foi sendo desenvolvido ao longo dos últimos anos”, acrescentou Morari.

O enólogo e porta-voz destacou que algumas variedades já puderam ser identificadas logo no início do projeto experimental com bom potencial tanto de adaptação quanto de condições de produção, combinadas com perfil aromáticos e de características interessantes para novos rótulos. “Assim foram surgindo algumas possibilidades de novos vinhos no portfólio”, detalhou.

De acordo com Morari, as quantidades iniciais das bebidas a partir das uvas exóticas são pequenas, em torno de 6,5 mil garrafas, e devem ser comercializadas no mercado interno. Os rótulos foram desenvolvidos considerando as tendências de consumo de vinhos mais aromáticos, frescos, jovens e de menor teor alcóolico. A Cooperativa Vinícola Garibaldi foi fundada em 1931, atualmente possui 470 viticultores associados que somam 1,2 mil hectares de vinhedos em 20 municípios da Serra Gaúcha.

Veja Também