Devido à tradição de jardins coloridos em frente às casas, o então distrito de São Leopoldo, passou a se chamar Ivoti, remetendo ao tupi-guarani “ipoti-catu”, que significa flor. Hoje, já município, junto com outros da região, tem na plantação de flores uma das fontes econômicas dos moradores. Entre eles, os descendentes de imigrantes japoneses que se estabeleceram na área a partir de 1966.
Satoshi Suzuki é um desses produtores. Nascido em Ivoti, começou a trabalhar com os pais na produção de uvas, que era uma das culturas predominantes na cidade. Depois de se formar como engenheiro agrônomo, retornou para a propriedade para atuar com hortaliças. “Queríamos trabalhar com plantas ornamentais, que tem maior valor agregado e maior rentabilidade por área plantada. Mas fazer o mercado e ter produto demora muito. O que era mais fácil, então, era produzir hortaliças que todo mundo consome. Era um mercado mais fácil de encontrar, mais fácil de abastecer”, conta.
Atualmente tem um viveiro de flores e está sempre conectado com a comunidade e com outros produtores e entidades, que participam de feiras, por exemplo, e outras ações, conservando a tradição da “cidade das flores”, que por sua vez, estimula atividades de jardinagem e cursos para quem deseja começar no ramo.
“Como floricultores, tentamos divulgar o uso das flores no dia a dia, porque quando você tem flores perto de casa, dentro de casa, você melhora muito a vibração do espaço. Harmoniza os ambientes e também melhora muito a autoestima das pessoas. Nós estamos tentando mostrar que as flores são um tipo de remédio para alegrar, porque as pessoas sempre têm uma busca e talvez seja a flor que esteja faltando no jardim dentro de casa para que a vida fique mais alegre e mais feliz como ela merece”, descreve.
Também reconhecendo os benefícios das flores, a família Bockorny sempre gostou de trabalhar com plantas, segundo Ediane. “Por Ivoti ser reconhecida como cidade das flores, acreditamos que apostamos no negócio certo, pois a cultura da comunidade ivotiense e cidades vizinhas é manter os jardins dos seus lares sempre bem floridos”, destaca. Assim como outros grupos do município, o negócio familiar Tri Mudas começou com hortaliças. Em 2014, o marido, Daniel, o pai dele e a irmã fundaram o viveiro. O processo era realizado pelo trio, de forma manual, segundo ela. A partir daí, o empreendimento e o mix de produtos foi crescendo no mesmo ritmo da demanda. “Nossos clientes passaram a indicar uns aos outros, trazendo novos clientes e foi expandindo.” Hoje já são mais de dez colaboradores e uma cartela de cerca de 50 clientes fixos. Desde 2021, a empresa também conta com uma floricultura para o consumidor final. “Nossas estufas têm em torno de 8 mil metros quadrados. Nelas produzimos mudas de hortaliças, chás, temperos e flores”, complementa Ediane. “A nossa família sempre adorou o trabalho em meio às plantas, porque é terapêutico, é ao ar livre e é muito satisfatório”, observa, destacando que é gratificante também o contato com as pessoas e junto aos parentes.
União de habilidades
Perto dali, em Dois Irmãos, o produtor Paulo Tanaka conta que os pais dele, assim como os de Suzuki, começaram a plantar parreiras, quando chegaram do Japão em 1971. Depois, a colônia japonesa, que está distribuída em outros municípios da região, passou a investir nas flores. Ele acredita que a união entre os imigrantes alemães, que já ocupavam a área, com os nipônicos resultou no gosto pelas plantações coloridas. “Os germânicos gostam muito de jardins e os japoneses gostam de plantar. Plantam o que tem demanda.” Ao longo do tempo, o negócio dele e da família foi migrando para as folhagens. “Começaram a vir as flores importadas, que eram mais baratas. Então, fomos mudando”, salienta.
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