Comemorado neste sábado, 6, o Dia Internacional do Cooperativismo será marcado, no Rio Grande do Sul, por um lado, pelo espírito de união que caracteriza o setor, e expresso pelo lema definido para a data em 2024: “Juntos fazemos mais pelas pessoas e pelas comunidades inteiras”. Por outro, o chamado Dia C, ou Dia de Cooperar, será também um momento de preocupação com a recuperação da atividade rural no Estado, principalmente da fertilidade do solo e da capacidade financeira dos produtores para seguir plantando o futuro.
“O grande desafio é que precisamos de investimentos para recuperar o solo”, diz o presidente da Organização das Cooperativas do Rio do Grande do Sul (Ocergs), Darci Hartmann.
O dirigente destaca, principalmente, os danos sofridos pelas terras do Vale do Taquari, da bacia do Rio Jacuí e da Metade Norte do Estado, esta última responsável pela maior parte da produção gaúcha de soja. Às margens dos dois rios, “teve inundação, erosão de solos, teve depósito de detritos”, exigindo limpeza e reestruturação da superfície de propriedades, nas quais, “os produtores perderam praticamente tudo, do martelo ao trator”, como salienta o dirigente. Na Metade Norte, as enxurradas e enchentes provocaram prejuízos mais graves. “Estudos preliminares da UFRGS indicam perdas perto de R$ 7 bilhões”, diz Hartmann. Os investimentos se traduzem, de acordo com o presidente da Ocergs, na aplicação de calcário, corretivos e fertilizantes.
Assegurar crédito
Antes disso, no entanto, lembrando as dificuldades da agropecuária gaúcha nos últimos três anos, Hartmann avalia ser necessário assegurar o acesso de produtores às linhas de financiamento para investimento nas tecnologias necessárias. Para tanto, “precisamos fazer a renegociação dos créditos dos produtores, com prazo de dez anos com dois de carência. De nada adianta disponibilizar recursos se não houver repactuação. O produtor estará inadimplente, e aí não conseguirá acessar os recursos, que são fundamentais”, explica. “Se não houver um investimento maciço nesse processo, vamos ter queda de produção muito grande. O potencial de perda de produção, mesmo num ano normal, vai ser muito complicado. E já estão falando em La Niña para o ano que vem”, acrescenta.
Hartmann aguarda que o governo federal apresente, “dentro de um prazo de dez ou 15 dias, um plano de renegociação, para que os produtores possam pagar suas dívidas e, depois, se tiverem capacidade novamente, buscar recursos para fazer suas lavouras”. O presidente da Ocergs lembra que 33% dos investimentos em custeio dos produtores são “tomados em cooperativas, sob forma de troca de insumo, sob forma de troca de fertilizantes. Isto tudo está pendente porque o produtor não conseguiu quitar seus débitos”.
”Para isso, precisamos de recursos do governo, para que as cooperativas possam pagar os fornecedores e alcançar uma renegociação nos mesmos moldes. Precisamos desses recursos o mais rápido possível”, diz Hartmann.
Doze toneladas
Uma das ações capitaneadas pela Ocergs no âmbito Dia C é o Solidômetro, cuja meta é envolver um milhão de pessoas e arrecadar 12 toneladas de alimentos não perecíveis. A iniciativa conta com o apoio da Programa de Extensão Cooperativa da Emater/RS-Ascar. O coordenador do programa, engenheiro Francisco Manteze, acredita que o momento não seja exatamente de comemoração e ressalta a situação pela qual passa o RS. Para Manteze, a data será aproveitada para sensibilizar a sociedade a respeito da importância do cooperativismo.
Primeira instituição financeira cooperativa do Brasil, o Sicredi está mobilizado para ações de voluntariado no Dia Internacional do Cooperativismo. “A data é uma oportunidade de reflexão sobre o papel social das instituições cooperativas. Para o Sicredi, a proximidade com o associado, demonstra o alinhamento com a campanha do Dia C e reforça nosso interesse genuíno em estreitarmos laços com a sociedade”, afirma o presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port.
