Presente em 527 municípios, a fumicultura ainda é um dos pilares do agronegócio da Região Sul do Brasil, tendo ocupado 309 mil hectares e movimentado R$ 12,8 bilhões na safra 2025/2026. No Rio Grande do Sul, o cultivo garante a renda de mais de 67,8 mil famílias e o processamento industrial, concentrado no Vale do Rio Pardo, gera 44 mil empregos. É com base nesses números que, neste Dia do Fumicultor (28), lideranças do setor destacam a sua contribuição para o desenvolvimento do País, desde 1993 o maior exportador mundial de tabaco.
O presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Marcilio Laurindo Drescher, avalia que o setor tem muito a comemorar. Em razão do retorno financeiro que proporciona, segundo o executivo, o tabaco continua sendo uma cultura atrativa, que ajuda a garantir a continuidade das famílias no meio rural. “O agricultor, que predominantemente é pequeno, tem uma área de pouco mais de 14 hectares de terra, então o tabaco é a sobrevivência na pequena propriedade. A grande maioria dos fumicultores sequer são fumantes, mas têm a sua subsistência nesta cultura”, diz Drescher.
A comparação com outras commodities explica o interesse na atividade. De acordo com a Afubra, a receita média por hectare alcançada no cultivo de tabaco é de R$ 41.546. Para obter a mesma rentabilidade com a soja, por exemplo, seria preciso plantar 6,41 hectares da oleaginosa. No caso do milho, o cálculo sobe para 6,51 hectares. O fumo é vantajoso em razão dos preços de mercado mais altos e do amplo mercado, já que o setor exporta 90% da produção.“45% do custo por hectare é a mão de obra. E, predominantemente, o trabalho na atividade do tabaco continua sendo mão de obra familiar”, observa Drescher.
Modelo integrado
As lideranças do setor, no entanto, incentivam cada vez mais a diversificação da produção. Hoje 45% da renda das propriedades dedicadas à fumicultura vem da pecuária ou de outros cultivos. “Até porque a atividade do tabaco não ocupa a família do produtor o ano inteiro. Uma das feiras voltadas à agricultura familiar, a Expoagro, que é realizada anualmente em março, em Rio Pardo, também é uma atividade forte para dar oportunidade à diversificação”, diz o presidente da Afubra.
Na última safra, o Rio Grande do Sul produziu 286,6 mil toneladas de tabaco, com o plantio em 132 mil hectares. A semeadura do ciclo atual já alcança 93% da área prevista, e a colheita ocorre até fevereiro. O presidente do Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco), Valmor Thesing, lembra que a fumicultura atravessa várias gerações de famílias. Ele destaca o sistema integrado de produção como fundamental para o bom desempenho no mercado internacional e a modernização do setor.
Nesse modelo, que se tornou referência para as cadeias produtivas de aves e suínos, o plantio é feito com base em contratos nos quais a indústria fornece insumos ao agricultor e garante a compra da produção. “O setor está sempre em busca de novas tecnologias, pois, diante da crescente pressão do mercado global por sustentabilidade, é importante que a produção brasileira tenha garantia de qualidade e integridade”, afirma Thesing.
Para o executivo, os desafios atuais do setor no Brasil são o combate à ilegalidade, que atualmente domina 30% do mercado, e a dificuldade de inserção em novos negócios, como o da nicotina líquida. “Seria uma nova possibilidade de renda para produtores e indústrias. O Brasil está atrasado na regulamentação e poderíamos estar explorando esses mercados, pois temos aqui matéria-prima e tecnologia para a extração da nicotina”, avalia Thesing.
Trabalho manual
Terceira geração, tanto do lado paterno quanto do materno, no cultivo do tabaco, o agricultor Marcelo da Silva Leite, 47 anos, dedica-se à atividade há 29 anos. Em sua propriedade de 35 hectares no município de Chuvisca, na Metade Sul do Estado, ele planta a cada safra de 6 a 7 hectares do tipo Virgínia, além de cultivar milho e manter um pequeno rebanho bovino de corte. Na região, a produtividade da cultura varia de 2,5 mil a 3 mil quilos por hectare. “Aqui já estamos colhendo as primeiras baixeiras (folhas da parte inferior do pé de fumo)”, conta.
Segundo o agricultor, a colheita é o principal dilema de quem tem na fumicultura a principal fonte de renda, já que o processo é feito manualmente e o ritmo de trabalho é lento. “A gente não consegue mais tanta mão de obra. Para o próximo ano, a gente planeja adquirir uma máquina auxiliadora de colheita, de quatro lugares. Necessita do ser humano, mas aí colhe sentado e na sombra”, explica. Os produtores de sua região, afirma Leite, também lidam frequentemente com quedas de energia elétrica, o que afeta o trabalho nas estufas onde é feita a cura (secagem) do tabaco.
O retorno financeiro, porém, compensa essas dificuldades. Nas últimas cinco safras, a rentabilidade de Leite por hectare ficou entre R$ 48 mil e R$ 50 mil reais, superando a média dos estados do Sul. “No milho, vai dar mais ou menos R$ 8 mil, R$ 9 mil por hectare”, compara. “É devido a essa cultura que eu tenho minhas filhas na faculdade, consegui tudo que eu tenho, casa, carro, trator”, diz o agricultor, que destina a produção ao grupo China Brasil Tabacos.
A cadeia produtiva na Região Sul
(safra 2025/2026)
- 136 mil produtores
- Produção de 710 mil toneladas
- 44 mil empregos nas indústrias do setor
- R$ 24 bilhões em impostos arrecadados
- US$ 3,31 bilhões em divisas (555 mil toneladas exportadas)
Fontes: Sintitabaco/Afubra
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