Rural

Dirigente entende ser “medida protetiva” a decisão da UE sobre a carne brasileira

Mateus Pivato, da Associação Brasileira de Angus e Ultraback, se manifestou em evento para anunciar encontro internacional da raça a ser realizado no Brasil em 2027

A carne Angus foi exportada para 35 destinos no ano passado, mas o mercado europeu não foi relevante
A carne Angus foi exportada para 35 destinos no ano passado, mas o mercado europeu não foi relevante Foto : Minerva Foods / Divulgação / CP

O diretor-executivo da Associação Brasileira de Angus e Ultraback, Mateus Pivato, se manifestou nesta terça-feira, 12, sobre o comunicado da União Europeia em não mais importar carnes brasileiras, a partir de setembro, em coletiva com a imprensa para o lançamento do evento internacional Secretariado Angus, que se realizará pela primeira vez no Brasil, em maio de 2027.

Conforme ele, as exportações da carne da raça, que no ano passado atendeu a 35 mercados, é pequena para o bloco europeu. Segundo análise do dirigente, a pecuária brasileira atende a requisitos sanitários, a ser na questão da rastreabilidade, que precisa evoluir.

“Podemos ser questionados na questão da rastreabilidade, mas viemos trabalhando para isso. Mas nas questões sanitárias, de uso de terra e tudo mais, fazemos o dever de casa. Mas os europeus acabam impondo maiores dificuldades, e não me parece algo tão difícil de entender o que está acontecendo, depois da aprovação do nosso tratado Mercosul e União Europeia”, alegou.

“Por uma pressão, obviamente, dos produtores da Europa. Me parece medida protetiva”, sugeriu.

Secretariado Angus

O Secretariado Angus anunciou que trará ao Brasil as principais autoridades mundiais da raça, entre criadores, dirigentes de associações, pesquisadores e industriais, possivelmente delegações de 25 ou mais países, para conhecer como se desenvolve a produção brasileira de pecuária tropical com animais Angus, além de discutir o futuro da raça. Serão feitas visitas a diversas fazendas, incluindo unidades de Pelotas, Dom Pedrito e Uruguaiana.

“O Brasil é o único país tropical que tem a raça Angus. E há uma consciência muito grande por parte dos produtores e exportadores da necessidade da melhoria da carne de qualidade, e quando falamos da melhoria da carne tem que entrar o cruzamento com Angus, e por isso o nosso crescimento em todo o país. Estamos em todos os estados”, avaliou o presidente da associação, José Paulo Cairoli.

O evento tem como objetivos posicionar o Brasil como referência na raça Angus. Ao longo da programação, haverá atividades com indústrias parceiras.

Imersões em propriedades rurais

A programação do Secretariado será dividida em diferentes frentes. Uma delas será formada por visitas a propriedades e sistemas produtivos nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul. O objetivo dos encontros será proporcionar aos participantes uma visão abrangente da pecuária brasileira.

O Rio Grande do Sul concentrará uma imersão em genética e pesquisa. Além da Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, o roteiro passará por propriedades de referência histórica e tecnológica. Uma delas será a Fazenda Santa Eulália, em Pelotas, de Joaquim Mello, ex-presidente da Associação Brasileira de Angus e histórico produtor de genética e do Programa Carne Angus Certificada. As visitas também incluem a Capanegra Agropecuária, em Dom Pedrito, do criador Fernando Pons, com grande história na raça Angus, referência em seleção genética. Também está incluída a Cia Azul, em Uruguaiana, empresa que se destaca pelo uso de tecnologias como ultrassonografia de carcaça, avaliação genômica, contagem de carrapato, entre outras.

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