Rural

Encontro examina sustentabilidade do trigo e Soja

Economista-chefe da Farsul abordou critérios que devem ser considerados na decisão sobre investimento em triticultura

De acordo com Da Luz, muitas vezes o produtor rural decide investir ou não na triticultura fazendo uso de cálculos incorretos
De acordo com Da Luz, muitas vezes o produtor rural decide investir ou não na triticultura fazendo uso de cálculos incorretos Foto : Embrapa / Divulgação / CP

Promovido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Fórum Nacional do Trigo e Soja 2025 examinou, na manhã de terça-feira, dia 12, a sustentabilidade da produção das culturas em foco. O encontro ocorreu na Faculdade de Direito da Universidade de Passo Fundo, no Norte do Rio Grande do Sul.
O primeiro palestrante, Antônio da Luz, economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), abordou o impacto da lavoura de trigo na eficiência da lavoura de soja e da propriedade rural. De acordo com Da Luz, muitas vezes o produtor rural decide investir ou não na triticultura fazendo uso de cálculos incorretos, que consideram somente os custos e eventuais ganhos e perdas relacionados exclusivamente à atividade. Em junho de 2025, conforme o economista, esse cálculo indicaria um prejuízo de R$ 637,09 por hectare.
Mais ainda, Da Luz apontou que no período de 186 meses, entre janeiro de 2010 a junho de 2025, 173 meses (93%) tiveram saldo negativo na produção do grão.

"Mas essa não é a forma correta de fazer essa conta", salientou. O economista-chefe estabeleceu uma analogia com o comércio. "O supermercado não ganha com todos os produtos que comercializa. O supermercado está cheio de produtos que dão resultado igual ao trigo", afirmou.

O método adequado para avaliar a conveniência da lavoura de trigo, conforme Da Luz, deve considerar a "margem de contribuição". O conceito representa o valor restante da receita de vendas depois do abatimento dos gastos variáveis. Sob esse aspecto, o trigo só não ofereceu margem de contribuição, no período de janeiro de 2010 a junho de 2025, em cinco anos: de 2010 a 2012 e em 2015 e 2017.
A análise do economista indica que o plantio do trigo absorve parte considerável dos custos da lavoura da soja. "Assim, transfiro parte dos gastos da safra de verão para a safra de inverno", disse Da Luz. "Quanto maior a área de trigo, maior a eficiência da soja", garantiu, salientando tratar-se de um exercício financeiro ao qual deve ser acrescentado os aspectos agronômicos. No cenário mais equilibrado entre as duas áreas, os custos operacionais são reduzidos em até 12%.
Leandro Zat, vice-presidente da Be8, maior produtora de biodiesel do país, sediada em Passo Fundo, apresentou as possibilidades disponíveis ao Brasil diante das mudanças climáticas.

"Podemos tornar isso vantajoso para nós. Biocombustíveis são a solução imediata", afirmou Zat.

O empresário destacou as experiências atuais de etanol de cana e milho e biogás, além de outras que estão "a caminho", como o etanol de trigo e o biocombustível de alta performance Be8 Bevant, e "futuras", como hidrogênio e Green Metanol.
"Em dez anos, a produção de etanol de milho cresceu cem vezes, de 85 milhões de litros para 8,5 bilhões de litros", disse Zat. Lançamento da Be8, o Bevant reduz as emissões de gases de efeito estufa em 99%. O combustível pode ser utilizado em motores de veículos de transporte coletivo e de carga.
Pesquisadora da Embrapa, Vanderlise Giongo examinou a conexão entre soja, trigo e ciência. Vanderlise explanou sobre os programas de baixo carbono das duas culturas realizados pela estatal. A pesquisadora também salientou a pegada da triticultura brasileira, calculada em 0,5 quilo para cada quilo produzido do grão, cerca de 20% abaixo da pegada média mundial.

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