Rural

Entidade alerta que MP do endividamento pode caducar

Em nota, Farsul adverte sobre a necessidade de votar e ainda ampliar a abrangência da Medida Provisória nº 1.376/2026

O saldo problemático do crédito no RS, operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, passou de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões
O saldo problemático do crédito no RS, operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, passou de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões Foto : Luiz Henrique Magnante / Embrapa Trigo / Divulgação / CP

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) emitiu nota em que destaca ter intensificado a mobilização política em Brasília e junto ao Congresso Nacional para alertar sobre a urgência na votação e na ampliação da abrangência da Medida Provisória nº 1.376/2026, cujo prazo final de deliberação se encerra em 11 de novembro.

Em pronunciamento divulgado nas redes sociais e ofícios encaminhados às principais lideranças legislativas, incluindo o relator da matéria, deputado federal Paulo Pimenta, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion, além dos senadores Renan Calheiros e Tereza Cristina, a entidade reforçou que o tempo urge para evitar a perda de vigência da norma.

“De acordo com dados do Banco Central destacados pela federação, a dimensão do endividamento no campo é alarmante. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o saldo problemático do crédito rural no Brasil, que engloba operações em atraso, inadimplentes, prorrogadas e renegociadas, disparou 47,7%, saltando de R$ 139,08 bilhões para R$ 205,46 bilhões”, menciona a nota.

“No Rio Grande do Sul, o volume cresceu 26,4% no mesmo período, passando de R$ 34,94 bilhões para R$ 44,18 bilhões, o que representa impressionantes 39,2% de toda a carteira de crédito rural do Estado.”

“Em contrapartida, os registros oficiais do Sistema de Operações de Crédito Rural e do Proagro (Sicor) apontam que, até 30 de setembro de 2026, as operações de composição de dívidas vinculadas à MP alcançaram renegociações de R$ 5,55 bilhões em nível nacional e R$ 4,58 bilhões no território gaúcho", acrescenta.

CPR de fora

"Para a Farsul, embora os recortes estatísticos possuam especificidades e não contemplem, por exemplo, as renegociações de Cédulas de Produto Rural (CPRs), os montantes evidenciam um abismo entre a escala do endividamento problemático real e o volume efetivamente absorvido pelo mecanismo atual.”

Segundo a Farsul, diante do relatório apresentado pelo deputado Paulo Pimenta e da perspectiva de apresentação de voto em separado pela FPA, a direção da Farsul defende a construção de um entendimento consensual.

“O objetivo é assegurar um texto alternativo ou ajustes no relatório que removam entraves burocráticos de acesso, ampliem o alcance do enquadramento e garantam prazo hábil para requerimento, análise e contratação por parte dos produtores”, esclarece

“A federação alerta que, caso a MP caduque sem as devidas alterações estruturais, cerca de 80% dos produtores rurais poderão ficar alijados da possibilidade de alongamento de suas obrigações financeiras, gerando reflexos severos na liquidez do setor e na estabilidade das próximas safras de culturas altamente mecanizadas”, adverte.

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