A avicultura do Rio Grande do Sul está impedida de exportar frango para a China desde o caso da Doença de Newcastle registrada num aviário comercial de Anta Gorda (RS), em julho de 2024. No ano seguinte, o Estado registrou outro caso importante de doença respiratória na avicultura, de Influenza Aviária (ou Gripe Aviária), numa granja de Montenegro (RS), que também interrompeu as exportações gaúchas para o mercado chinês.
Porém, na sequência todos os protocolos sanitários e de biosseguridade foram atendidos, e o Rio Grande do Sul recuperou a condição para poder exportar no caso de Influenza, mas segue impedido de embarcar para a China em razão da ocorrência de 2024.
Na avaliação sobre o desempenho da avicultura gaúcha e brasileira em 2025 e a projeção para este ano, promovida pela Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) junto à imprensa, nesta sexta-feira, 16, os dirigentes da entidade lamentaram pela atuação do Ministério da Agricultura Pecuária na normalização da situação gaúcha junto ao mercado chinês, que representava 6% dos embarques do Estado antes da suspensão.
Da mesma forma, deixaram claro não entender as razões dos chineses ainda não liberarem as importações de frangos produzidos nas granjas gaúchas. Mesmo assim, eles se mostraram confiantes para a retomada desses embarques ainda no primeiro trimestre.
“Não tem mais problema técnico e sanitário. Está tudo superado dentro da Omsa (Organização Mundial de Saúde Animal). Está tudo liberado. Então, falta gestão por parte do Ministério (da Agricultura). Se o Brasil está liberado por que o Rio Grande do Sul tem que ficar fora”, questionou Nestor Freiberger, presidente do Conselho Diretivo da Asgav.
“Eu acho que a diplomacia não está funcionando como tem que funcionar. Estão deixando a desejar, o secretário de Relações Internacionais (Luís Rua) como o próprio ministro (Carlos Fávaro)”, acrescentou. “Não consegue resolver? Então tem que ir para a Presidência”, sugeriu. “Olha só o que o Rio Grande está sofrendo com isso... vamos fazer logo dois anos (de embargo)”, lamentou, e acrescentou a inncoerência dos “dois pesos e as duas medidas” para ambas as doenças respiratórias.
O integrante da Comissão de Comércio Exterior da Asgav Vitor Hermann lembrou que para o caso de Newcastle a maioria dos países tem um protocolo menos restritivo, que acaba limitando apenas ao caso do Rio Grande do Sul, enquanto na situação de Influenza Aviária, o bloqueio foi para todo o país. “Talvez, de início, notamos uma diferença nas gestões do ano passado (da Influenza), que foram muito mais rápidas na liberação, porque era uma necessidade maior de liberar o país todo, não apenas o Rio Grande do Sul”, observou.
“Vemos nesta cronologia da Gripe Aviária que o Brasil se autodeclarou livre em 30 dias. No caso de Newcastle, em 2024, foram 90 dias após que o Brasil se declarou livre. E esta autodeclaração perante a Omsa acabou ensejando, logo após, várias liberações dos países, depois da publicação da Omsa do reconhecimento da região, no caso o Rio Grande do Sul, e no país, livre do caso da Gripe Aviária.”
Exportações se mantiveram
Apesar da avicultura gaúcha ter enfrentado as restrições internacionais em razão do caso de influenza aviária, a Asgav avaliou como positivas as exportações no ano passado, assim como a produção. Os embarques caíram em volume 0,77%, de 691.663 toneladas em 2024 para 686.359 no ano passado, enquanto a receita encolheu 1,75%, 1,249 milhão de dólares em 2025 ante 1.266 milhão de dólares no ano anterior.
O Estado exportou no ano passado 36,91% de sua produção, porcentagem semelhante aos anos recentes. E os abates totalizaram 808,422 milhões de frangos, aumento de 1,52% sobre 2024. “A baixa nas exportações esta diretamente ligada aos embarques decorrentes do caso de Influenza Aviária registrado no Estado, o que evitou as exportações para a China”, justificou o presidente-executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos.
Quanto as exportações gaúchas de ovos, ocorreu a redução de 3,91%, de 6.500 para 6.246 toneladas, mas em receita o aumento foi de 39,1%, ou de 17,017 milhões de dólares em 2024 para 23,680 milhões no ano passado. E as projeções da entidade, desde que mantidas as condições sanitárias livres de doença e sem grandes problemas climáticos, é de ampliação nos embarques em 3% a 4%, e no caso de ovos, de 10% a 20% nos volumes.