Com a proposta de trazer mais transparência e confiabilidade às negociações no mercado pecuário, o Indicador do Boi Datagro exclusivo para o Rio Grande do Sul foi tema de um seminário realizado nesta terça-feira (9) na sede da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), em Porto Alegre. Com o novo projeto da consultoria agropecuária Datagro, o Estado ganhará o balizador de preços do quilo do boi gordo que já é utilizado em outros nove estados do país (São Paulo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Bahia, Rondônia e Tocantins).
Ao longo do evento, que teve a participação da Datagro, da Associação Brasileira de Angus (por meio do Programa Carne Angus Certificada), da B3 e do Banco Pine, além de corretoras, foram apontadas tendências e oportunidades no setor. Na abertura do seminário, o presidente da Farsul, Domingos Velho Lopes, destacou que o projeto marca um grande avanço no agro gaúcho. “É extremamente importante porque coloca o Estado não só nos contratos, não só na possibilidade de fazer parcerias com a B3. Mas (possibilita) a confraternização, a divulgação e a reformulação de informações para a nossa cadeia produtiva da pecuária de corte, junto com os demais estados que são expoentes nesta pauta”, afirmou.
Baseado na coleta auditada de dados de pecuaristas e frigoríficos, o novo Indicador do Boi Datagro insere o Rio Grande do Sul em um circuito do qual o Estado ainda não participava, mesmo sendo um dos principais criadores de bovinos, segundo o diretor do Programa Carne Angus Certificada, Wilson Brochmann.
“É um pedido meu (…) que os frigoríficos, parceiros, os principais produtores e pecuaristas do Rio Grande do Sul levem esse processo a sério. Nós precisamos das informações quase que diariamente para poder ter esse indicador com mais consistência dentro da realidade das nossas comercializações”, enfatizou.
Analista da Datagro, o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Lucas Schilling Möller abordou, em sua palestra, os negócios na bolsa de valores. Segundo Möller, que também é pecuarista, o ambiente de mercado volátil e a redução das margens de lucro aumentaram muito o risco no campo, evidenciando a necessidade de ferramentas que possibilitem travar preços da produção futura. “Esse problema não surgiu agora com o boi no Brasil. É um problema que já existe no agro desde 1697”, disse Möller, lembrando que a primeira bolsa de mercadorias e contratos futuros do mundo foi a Bolsa de Arroz de Dojima, fundada naquele ano em Osaka, no Japão.
Além de destacar os diferentes perfis de operadores de mercado, o economista mostrou, por meio de exemplos, como funcionam os mecanismos de proteção de margens, como os contratos futuros e o mercado de opções. “A ideia não é que ninguém saia especialista sobre o que é o mercado futuro, mas entenda a base dos fundamentos. A partir de nesse momento vão surgir muitas dúvidas (…). Nesse caso, a figura do corretor é muito importante, vai garantir com que a estratégia que foi planificada seja executada”, observou.
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