Na Expointer, Bolsonaro estreita laços com empresários e entidades do agro

Na Expointer, Bolsonaro estreita laços com empresários e entidades do agro

Acompanhado de ministros e apoiadores, presidente visitou Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, neste sábado

André Malinoski

Acompanhado de ministros e apoiadores, presidente visitou Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, neste sábado

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Com a popularidade em alta entre os empresários do agronegócio, o presidente Jair Bolsonaro chegou com sua comitiva na 44ª Expointer, às 11h deste sábado, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. O presidente aproveitou a oportunidade para estreitar laços com empresários e entidades do setor. O mandatário, que vestia uma japona amarela do Banco do Brasil por cima de uma camisa social e um lenço com as cores da bandeira gaúcha em torno do pescoço, além de calça e sapatos escuros, começou a caminhar pelo local, cercado por políticos, como o general Augusto Heleno, o filho vereador pelo Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro, que trajava uma camiseta preta, o deputado federal Bibo Nunes, autoridades e muitas pessoas ligadas ao setor agropecuário.

O vice-governador e secretário da Segurança Pública, Ranolfo Vieira Júnior, representando Eduardo Leite – atualmente desafeto do presidente –, e a secretária da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Silvana Covatti, receberam o visitante em sua primeira ida a um evento depois das manifestações de 7 de setembro e após a divulgação de nota oficial em que dizia não ter tido a intenção de atacar o Supremo Tribunal Federal (STF). Também foi sua primeira visita oficial depois das manifestações recentes dos caminhoneiros em apoio ao chefe de Estado. Uma bandeira gigante tremulava no alto da feira, sustentada com o auxílio de um guindaste.

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Chamava a atenção o grande aparato de segurança em torno da visita do presidente. Muitas áreas e espaços ficaram restritos e havia a presença intensa da Brigada Militar, Polícia Federal e dezenas de seguranças à paisana. O vice-governador Ranolfo Vieira Júnior não pôde acompanhar o presidente durante toda visita, pois estava com um problema no joelho e mancava. Bolsonaro seguia parando, apertando mãos, tirando fotos e distribuindo sorrisos na companhia de diversos aliados como a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, que usou chapéu durante algum tempo na feira, e o ministro do Trabalho e Previdência, Onyx Lorenzoni, além do senador Luis Carlos Heinze. Bolsonaro interagiu com pessoas que o aplaudiam durante sua passagem e o chamavam de “mito”. Alguns cantavam no Pavilhão Internacional: “Bolsonaro, cadê você! Eu vim aqui só pra te ver!”.

O chefe do Executivo foi no Pavilhão do Gado Leiteiro e depois se dirigiu ao Pavilhão Internacional, onde fica o estande do Ministério da Agricultura. Era previsto que o chefe do Executivo também passaria pelo Pavilhão dos Grandes Animais (ovinos e bovinos) e na Agricultura Familiar, mas isso não ocorreu. O senador Luis Carlos Heinze conversou rapidamente com a imprensa mais cedo, ao passar pelo Pavilhão Internacional, às 10h10min, ao lado do deputado federal Osmar Terra. Questionado sobre as dificuldades da semana passada vividas pelo presidente, o senador saiu em defesa do mandatário. “Ele é o presidente da República e pode falar o que quiser. Quem não foi bem foram dois ministros [do STF] que falaram o que não deviam. A história vai mostrar quem está certo.”

Enquanto Bolsonaro tirava muitas fotos e visitava o estande do Ministério da Agricultura, o deputado federal Bibo Nunes se aproximou dos jornalistas. “O presidente não vai falar com a imprensa. Ele disse que não quer”, revelou. O general Augusto Heleno, também trajando uma japona amarela do Banco do Brasil, recebeu uma garrafa de azeite de oliva da marca Herança do Cerro, de representantes de Encruzilhada do Sul. “Quero mandar uma mensagem para o povo gaúcho, para os colorados e os gremistas, e o pessoal do Brasil de Pelotas. Quero dizer que está tudo bem no governo”, disse brevemente.

O próprio presidente enquanto passava por diferentes locais da feira foi presenteado com sapatos, botas e vinhos. Ainda no Pavilhão Internacional, o ex-senador Magno Malta gesticulava ostensivamente na direção da imprensa. De boné, ele vestia uma camiseta preta em que se lia: “Brasil um país que adota. Não um país que aborta”.

O vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Ubiratan Sanderson, que transitava por ali saiu em defesa de Bolsonaro. “O presidente estendeu a mão e colocou uma bandeira branca fazendo com que todos os poderes achem saídas para o Brasil. Precisamos ter uma bandeira da nação brasileira. Esperamos uma sinalização concreta também dos demais poderes, em especial do STF”, afirmou em relação à nota divulgada pelo presidente durante a semana, em que Bolsonaro dizia que não teve a intenção de criticar os demais poderes. “O presidente Bolsonaro foi corajoso e deu o primeiro passo, mesmo se desgastando com a sua militância. Agora esperamos que também o Poder Judiciário, através do STF, compreenda que nós precisamos de paz para levar todas as bandeiras de paz adiante”, acrescentou.

Cerca de 50 jornalistas ficaram restritos a um cercado de 28 passos de comprimento por cinco de largura no Pavilhão Internacional, bem defronte à Casa da Farsul, onde seria oferecido o almoço. Em função dessa limitação, desde a entrada do presidente na Expointer até o momento em que sua comitiva se aproximou da área reservada à imprensa, muita coisa só pôde ser vista de longe. O que se percebeu foi que a popularidade de Bolsonaro segue em alta entre o público do agro e seus apoiadores, alguns com bandeiras do Brasil e portando cartazes. Em um estava escrito: “Fora STF! Não vai ter golpe”. Não aconteceram manifestações de críticos do presidente durante sua passagem pela feira de Esteio.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) ofereceu um almoço ao presidente e para mais cerca de 75 pessoas. A entidade divulgou nota recente com críticas ao STF, respaldando às manifestações em apoio a Bolsonaro. No cardápio divulgado com antecedência seria servido feijão mexido, carne e batata frita. Porém, o que acabou predominando na refeição foi o churrasco. O presidente fez um pronunciamento aos presentes na refeição e recebeu a Medalha do Mérito Farroupilha, distinção máxima oferecida pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em homenagem aos cidadãos brasileiros ou estrangeiros que, por motivos relevantes, tenham se tornado merecedores do reconhecimento. A proposição foi feita pelo deputado estadual Vilmar Lourenço (PSL).

Porém, antes de Bolsonaro ser homenageado, a secretária Silvana Covatti disse algumas palavras: “Aqui está o produtor rural do agronegócio do Rio Grande do Sul, que corresponde a 20% do PIB nacional. Aqui está a marca dos gaúchos e das gaúchas. O senhor leve daqui, presidente, a força, a coragem e a determinação dos homens e das mulheres do Estado”, discursou. Em seguida, o ministro Onyx Lorenzoni atacou o Partido dos Trabalhadores (PT) durante sua participação. “Houve um tempo nesta terra, quando aquela gente que usava vermelho e nada tinha a ver com o time de futebol dessa mesma terra, em que eles invadiam terras, atacavam pessoas, matavam animais, queimavam tratores e destruíam máquinas agrícolas. Esta casa, e os homens e mulheres desta casa, nunca fugiram da luta para defender o direito de propriedade”, provocou. A ministra Tereza Cristina demonstrou otimismo quando esteve ao microfone. “Eu ouvi de todos a confiança que o agro tem no senhor presidente e em suas ações. E olha o apoio que nós tivemos na feira”, disse.

Em seguida, os deputados estaduais Kelly Moraes e Vilmar Lourenço entregaram a medalha ao mandatário. “É um evento fantástico que, no fundo, promove mais ainda o nosso agronegócio e mostra que o Brasil está na liderança da produção do campo”, discursou Bolsonaro. “Estou muito feliz em estar aqui e poder colaborar com vocês. A vida de presidente não é fácil. Se alguém quiser trocar comigo, eu troco agora. Mas entendo que é uma missão de Deus para nós redirecionarmos o país. Acompanhamos a transformação das cores neste país. Cada vez mais o verde e o amarelo tomam conta de nossa Pátria. Temos três poderes que precisam ser respeitados, buscando sempre a melhor maneira de nos entendermos para que o produto do nosso trabalho seja estendido aos 210 milhões habitantes”, completou o presidente em outro trecho de sua fala transmitida pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). “No agronegócio, como eu entendo desde que assumi em 2019, o trabalho do nosso governo, em primeiro lugar é não atrapalhar, não criar dificuldades para vender facilidades. Deixamos o campo completamente livre”, pontuou Bolsonaro aos presentes.

O vice-governador Ranolfo Vieira saiu da Casa da Farsul minutos antes de Bolsonaro. Questionado sobre o evento, ele disse que “a visita do presidente da República em qualquer estado da federação sempre é importante. Dessa forma, nós tratamos de maneira muito republicana e institucional essa relação do Estado com o presidente.”

Após o almoço e a homenagem, Bolsonaro deixou o parque às 13h50min. Em pé, na parte traseira do carro, acenou e mandou coraçãozinhos com as mãos para a imprensa.

O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, que sentou ao lado de Bolsonaro durante o almoço, elogiou Bolsonaro depois do evento fechado. “Foi um momento ímpar para a Expointer e para a Farsul receber o presidente da República. Inegavelmente, ele tem um grande apelo popular e, na classe rural, sem dúvida nenhuma desfruta de quase 100% de aprovação. Para nós, ele representa a segurança no campo contra invasões de terras e o direto de propriedade”, observou.


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