Visto à crise instalada na Venezuela nos últimos dias pela captura e extradição do presidente Nicolás Maduro por Donald Trump, a equipe econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), divulgou uma nota em que avalia os efeitos da turbulência naquele país no agronegócio brasileiro e, sobretudo, no gaúcho, em relação às exportações e importações de produtos agrícolas.
Em síntese, a entidade esclarece que “pela posição atual da participação venezuelana nas exportações brasileiras, o choque da crise no país não deve ter grande impacto no agronegócio, mas é preciso atenção principalmente no setor energético”. E ainda faz menção à relevância daquele mercado para o arroz gaúcho.
“O histórico de negócios com a Venezuela, entre 1997 e 2025, mostra que cada sucessiva mudança de governo na Venezuela diminuiu o valor e o volume das exportações brasileiras para o País”, destaca o trabalho.
Conforme a entidade, no período Rafael Caldera (1997-1998), houve um aumento de 66% no valor e de 56% no volume, e no governo de Hugo Chávez (1999-2013) o aumento foi de 25% no valor e 19% no volume. Mas, no período Nicolás Maduro (2013-2025), houve queda de 13% no valor e 4% no volume.
Segundo a entidade, em 2025, a Venezuela respondeu por 0,4% no volume e no valor exportado pelo agro brasileiro, enquanto nos embarques gaúchos chegaram a US$ 85 milhões, 0,6% do total comercializado pelo Estado, enquanto no volume foram enviadas 186 mil toneladas, ou 0,9% do total. “O caso do arroz merece especial atenção, visto que o País é, historicamente, um dos principais destinos das exportações de cereal do Rio Grande do Sul.
Em 2025 o estado comercializou internacionalmente US$ 390 milhões, dos quais US$ 50 milhões (13%) para a Venezuela, o que o coloca como segundo principal destino para o grão gaúcho. Quanto ao volume, foi destino de 1,06 milhão de toneladas (16%)”, complementa a nota da Farsul.
O relatório ainda destaca que existe a possibilidade de impactos na produção de fertilizantes, produto cujo custo é bastante influenciado pelo preço do petróleo. Afinal, em 2025, de janeiro a novembro, o Brasil importou US$ 14,3 bilhões em fertilizantes, sendo apenas US$ 126 milhões da Venezuela (0,9%). E, em volume, foram 320 mil toneladas (0,77%).
“Isso coloca a Venezuela em 16º lugar como fornecedor deste produto para a agricultura brasileira”, avalia. “Outro ponto: em relação a 2024 (janeiro a novembro) as exportações de fertilizantes da Venezuela para o Brasil sofreram quedas de 20,6% no valor e de 35,5% no volume”, acrescenta.
Galos e galinhas vivos
As exportações do agronegócio brasileiro para a Venezuela em 2025, de janeiro a novembro, atingiram US$ 513 milhões, uma participação de 0,4% do total, o que deixa o país na 44a posição no ranking de destinos do setor. Em volume, 252 mil toneladas e uma participação de 0,4%.
Destaque aos embarques dos seguintes produtos: complexo sucroalcooleiro, especificamente açúcar de cana ou beterraba, produtos florestais, galos e galinhas vivos, leite condensado e creme de leite, óleo de soja, ovos e gemas, bovinos vivos, feijões secos e milho.