Rural

Fetraf-RS defende transição de modelo produtivo

Entidade dos trabalhadores da agricultura familiar avalia que atual sistema reduz margem de lucro para produtores

Coordenador-geral Douglas Cenci avalia principais demandas do setor
Coordenador-geral Douglas Cenci avalia principais demandas do setor Foto : Fabiano do Amaral

Entre as pautas na agenda de 2026 da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar do Rio Grande do Sul (Fetraf-RS) está a transição do modelo de produção, que hoje é considerado de alto custo, com utilização de produtos químicos e, muitas vezes, degradação do solo. O coordenador-geral da entidade, Douglas Cenci, avalia que o sistema predominante reduz a margem de lucro dos produtores, principalmente dos pequenos. “Queremos discutir um novo modelo justo e adequado para a agricultura familiar e isso é fundamental para a nossa sobrevivência”, afirma.

Ele observa que, para que esse movimento ocorra, é necessário trabalho de todas as esferas públicas. “Essa transição envolve a superação de um conjunto de técnicas que são ultrapassadas e a introdução de novas técnicas. Como pilar central, está o acompanhamento técnico. Então, o Estado tem, por exemplo, a Emater, que tem um papel muito importante”, explica. Para o setor, o governo federal precisa criar um projeto para desenvolver essa transição.

Outra demanda trazida pela entidade é um fundo para socorrer produtores que sofrem perdas por fenômenos climáticos, como o granizo. Paralelo a isso, está a adaptação climática para a redução dos impactos. “Nós avaliamos que é possível, mesmo nas áreas de produção, trabalhar para reverter as mudanças climáticas. Então, isso dialoga também com a transição do modelo”, diz Cenci.

A Fetraf-RS tem abordado ainda questões como o preço do leite, que decaiu e vem prejudicando o segmento, o endividamento e o custo do crédito.

Para congregar os representantes da agricultura familiar, a entidade promove, entre outras atividades, eventos, como o que está previsto para ocorrer entre 28 de janeiro e 1 de fevereiro em Capão da Canoa, no Largo do Baronda. Em sua terceira edição, a expectativa é que a Feira da Agricultura Familiar reúna 85 expositores em 45 estandes. O espaço foi ampliado em 200 metros quadrados para os atuais 1.000 metros quadrados. Douglas Cenci esteve na sede do Correio do Povo em Porto Alegre para divulgar a ação.