A cadeia produtiva da erva-mate, uma das mais tradicionais do Rio Grande do Sul, enfrenta seu momento mais crítico desde 1996. Para debater alternativas e construir estratégias de fortalecimento do setor, Ilópolis sediará, nesta sexta-feira, 21, o I Seminário da Erva-Mate. O evento é promovido pela Frente Parlamentar da Erva-Mate da Assembleia Legislativa, presidida pelo deputado Paparico Bacchi, e reunirá produtores, indústrias, lideranças municipais e entidades representativas para uma ampla agenda de diálogos.
A iniciativa dá continuidade ao trabalho que o parlamentar vem conduzindo junto às organizações do setor em diferentes regiões do Estado. Nas últimas reuniões, duas diretrizes se destacaram como fundamentais para reorganizar a cadeia: a criação de um consórcio intermunicipal da erva-mate, voltado à gestão profissional e à captação de recursos, e o fortalecimento do Fundomate, fundo estadual destinado a promover pesquisa, inovação, desenvolvimento e ações de apoio ao setor. Criado pela Lei nº 14.185/2012, o fundo é considerado estratégico pelas entidades, mas ainda carece de maior transparência e efetividade.
O cenário atual é marcado pela combinação entre o baixo preço pago ao produtor, a alta oferta no mercado e a queda no consumo per capita. De acordo com a Emater/RS-Ascar, a arroba da erva-mate verde tem sido comercializada entre R$ 17 e R$ 20 — valor que não cobre os custos de produção. A retração no consumo também preocupa: a média anual caiu de 11 para 9 quilos por habitante, reflexo de mudanças de hábitos no pós-pandemia e da diminuição do compartilhamento do chimarrão.
Apesar da crise, a erva-mate mantém grande relevância econômica e cultural. Conforme a Radiografia Agropecuária Gaúcha 2024, o Rio Grande do Sul produz cerca de 273,7 mil toneladas por ano, em 173 municípios e 34 mil hectares cultivados. Ilópolis ocupa o primeiro lugar no ranking estadual de produção, enquanto o Uruguai segue como principal destino externo do produto. A cadeia envolve aproximadamente 14 mil produtores e 250 indústrias, concentradas especialmente no Alto Taquari, Alto Uruguai, Missões/Celeiro e Vales. O Estado também é responsável por cerca de 80% da erva-mate exportada pelo Brasil.
O seminário contará com painéis dedicados à inovação, às políticas públicas, às mudanças no consumo, à indústria ervateira e à construção do consórcio intermunicipal, reunindo especialistas, lideranças e representantes do Poder Público. A expectativa é consolidar propostas que fortaleçam a competitividade, ampliem a profissionalização e garantam segurança econômica aos produtores.
Além de sua importância econômica, a erva-mate segue valorizada pelo seu papel social e cultural, reconhecida em 2023 como o primeiro patrimônio cultural imaterial do Rio Grande do Sul. O produto também se destaca pelos benefícios à saúde e pelo potencial de expansão em setores como alimentos, cosméticos e farmacêutico.
O I Seminário da Erva-Mate será realizado no Parque do Ibama, em Ilópolis, das 9h30 às 16h30, e está aberto ao público interessado.