Rural

Nova diretoria da Farsul toma posse em cerimônia festiva

Ato marcou comemoração de 99 anos da entidade gaúcha, a mais antiga do país, agora liderada por Domingos Velho Lopes

Domingos Velho Lopes e lideranças da Farsul exaltaram pujança do agronegócio gaúcho
Domingos Velho Lopes e lideranças da Farsul exaltaram pujança do agronegócio gaúcho Foto : Patrícia Feiten / Especial / CP

Discursos emocionados, marcados por defesas enfáticas de posições do agronegócio, homenagens a lideranças inspiradoras e pelo compromisso de lutar pelas demandas do setor, foram ouvidos neste domingo (24), na solenidade de posse da nova diretoria executiva do Sistema Farsul (Federação da Agricultura do Estado). O ato assinala o início “oficial” da gestão do engenheiro agrônomo Domingos Velho Lopes, que comandará a entidade até 2029. Embora o mandato do dirigente tenha se iniciado em 1º de janeiro, a cerimônia festiva foi realizada apenas agora para coincidir com a data de aniversário de 99 anos da Farsul.

Primeiro a discursar, o ex-presidente Gedeão Silveira Pereira relembrou o agricultor Carlos Sperotto, que presidiu a Farsul de 1997 até seu falecimento, em 2017, e se destacou como um dos mais aguerridos líderes da agropecuária gaúcha. “A grande mensagem que esta federação dá aos produtores é que ela percorre uma unidade de pensamento”, afirmou Pereira. Ele segue na nova diretoria como diretor vice-presidente e em dezembro passado assumiu o cargo de 1º vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), o mais alto posto já ocupado por um representante do Rio Grande do Sul na principal entidade do agronegócio brasileiro.

Ao destacar a relevância do agronegócio no cenário internacional frente às preocupações cada vez maiores com a oferta de alimentos, Pereira citou a necessidade de segurança jurídica no setor.

“Este (a Farsul) é o grande guarda-chuva de defesa do produtor rural gaúcho em todos os temas, assim como é a CNA no tema federal, onde temos de intransigentemente seguir defendendo o sagrado direito da propriedade”, disse.

Na mesma linha, o novo líder da Farsul enfatizou que a propriedade rural não se resume a um patrimônio individual, sendo resultado do esforço de gerações dedicadas ao campo. Defendê-la, afirmou, é garantir a confiança para o desenvolvimento sustentável.

“Da mesma forma, reafirmamos nossa crença na livre iniciativa. Foi a liberdade de empreender que permitiu ao produtor rural gaúcho superar crises climáticas, econômicas e logísticas, inovar no campo e transformar o Rio Grande do Sul em referência nacional e internacional”, disse Lopes.

Ao abrir oficialmente as comemorações do ano do centenário da Farsul, o novo presidente observou que a entidade é a federação mais antiga do país, tendo surgido antes mesmo da confederação do setor. Para Lopes, a Farsul completa um século com os olhos voltados para o futuro.

“E o futuro exige capacidade de construir consensos sem abrir mão de princípios e valores. Temos enormes desafios pela frente: infraestrutura, logística, inovação, sustentabilidade, crédito, sucessão familiar, competitividade internacional e segurança no campo. Mas também aquilo que sempre diferenciou o povo gaúcho. E temos resiliência, competência, coragem e espírito associativo”, destacou.

Centro de formação

Também presente na solenidade, o diretor-geral do Senar, Daniel Carrara, citou o novo Centro de Formação Profissional Rural (CFPR) inaugurado no sábado (23) em Hulha Negra, na região da Campanha. “Nós estamos devendo ao setor produtivo um trabalho mais consistente e mais aprofundado, voltado à capacitação de operadores de máquinas de alta tecnologia e inovação. E a gente vai poder trazer técnicos, mais de 16 mil no país, para formarem, interagirem com as grandes indústrias e conhecerem o Rio Grande do Sul”, explicou.

Fertilizantes

O vice-governador do Estado, Gabriel Souza, lembrou o impacto de problemas climáticos, como as sucessivas estiagens, no desempenho das safras gaúchas e, consequentemente, no grau de endividamento dos produtores. “Nós somos os que mais estão sofrendo com as mudanças climáticas no território brasileiro atualmente. Está na hora de o Congresso Nacional discutir a criação de um fundo constitucional para o desenvolvimento da Região Sul”, defendeu.

Segundo Souza, um grande passo para o fortalecimento do setor agrícola foi a licença de operação concedida pelo governo gaúcho neste mês à Águia Fertilizantes S.A. A empresa é responsável pelo Projeto Fosfato Três Estradas, em Lavras do Sul. Com a autorização, começará a atuar em uma unidade industrial no município de Caçapava do Sul.

A produção inicial será de até 150 mil toneladas de fertilizantes fosfatados por ano. Em uma segunda fase, prevista para 2027, será implantado um novo complexo junto à mina de Três Estradas, ampliando a capacidade total para até 300 mil toneladas anuais. “O Rio Grande do Sul importa 100% (dos fertilizantes) quando há guerra na Europa, entre a Ucrânia e a Rússia. O mundo inteiro paga a partir do aumento do custo da importação”, afirmou Souza.

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