Rural

Nova safra deve alavancar exportação de soja

Previsão da Conab aposta num volume superior a 105 milhões de toneladas do grão no mercado externo em 2025

Queda registrada nos embarques de 2024 deve ser revertida neste ano
Queda registrada nos embarques de 2024 deve ser revertida neste ano Foto : Rodrigo Leal / Divulgação Appa / CP

A quebra da safra de soja no ciclo 2023/2024, em decorrência da estiagem, empurrou para baixo também as exportações do grão, que não devem avançar dos 99 milhões de toneladas – abaixo, portanto, dos 101,8 milhões de toneladas obtidos em 2023. Apenas entre os meses de outubro e novembro do ano passado, a retração nos embarques da oleaginosa para fora do país foi de 45,8 %, de 4,71 milhões de toneladas para 2,55 milhões de toneladas, de acordo com dados divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A companhia estima, no entanto, que com a recuperação da produção prevista para a temporada 2024/2025 as vendas ao mercado externo no próximo ciclo poderão ultrapassar as 105,8 milhões de toneladas.

O fraco desempenho da soja nos embarques de 2024 fez com que o grão perdesse a liderança nas exportações do Brasil para o petróleo, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A última vez que a soja não foi líder na receita exportadora do país foi em 2021, ano em que o minério de ferro assumiu o topo.

Da mesma forma, as exportações de milho registraram redução em 2024. No mês de novembro, por exemplo, os embarques internacionais do grão somaram 4,73 milhões de toneladas – 26,2% a menos do que em outubro e 36,2% inferior ao mesmo período de 2023.

As exportações de milho em nov/24 atingiram 4,73 milhões de toneladas, contra 6,41 milhões de toneladas, observadas no mês anterior, em decorrência de elevados estoques do grão, ainda nas mãos das empresas. Na temporada 2023/2024, em razão da menor produção nacional, a Conab estima que 36 milhões de toneladas de milho serão exportados pelo Brasil.

Para a safra 2024/2025, mesmo com aumento previsto na oferta nacional, de quase 4 milhões de toneladas, a perspectiva da Companhia Nacional de Abastecimento é de mais uma pequena redução no volume exportado. A queda, porém, deverá ocorrer em razão do aumento de demanda interna pelo cereal, especialmente para alimentação de suínos e aves.

Os embarques de proteína animal tendem a seguir elevados neste ano, conforme as perspectivas calculadas pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Neste começo de 2025, por exemplo, a associação comemorou a publicação do governo do México anunciando a renovação do “Pacote contra a Inflação e a Fome”, que ajudará a manter em alta as vendas naquele país.

Estruturado há dois anos, o programa mexicano tem como objetivo controlar efeitos inflacionários e a escassez de alimentos aos consumidores. Neste caminho, ampliar a oferta por meio da importação de produtos estratégicos, como a carne de frango e a carne suína é uma das ações. Assim, ficaram mantidas as condições atuais para importação dos produtos, com ausência de cotas limitadoras com tarifa zero ao longo de todo o ano de 2025. Atualmente, o México é o 7° maior importador de carne de frango do Brasil, e o 10° principal destino em carne suína, conforme a ABPA.

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