O mercado brasileiro de grãos, principalmente soja, poderá ser beneficiado com a eventual eleição do candidato republicano, Donald Trump, à presidência dos Estados Unidos. O cenário favorável se confirmaria diante de intensificação da guerra comercial entre os EUA e a China, estabelecida durante o mandato anterior de Trump na Casa Branca (2017-2021). O acirramento da disputa, ampliando dificuldades para o trânsito das commodities entre ambas, contribuiria para o Brasil ganhar maior importância no atendimento de demandas chinesas. A avaliação é de Nilson Costa, professor de economia da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e de Alaíde Ziemmer, analista de mercado da AgRural Assessoria em Comercialização de Soja e Milho.
“O presidente Donald Trump inaugurou uma guerra comercial com a China”, relembra Costa. “E ele [Trump] já vem falando algumas coisas neste sentido”, acrescenta Alaíde. Em abril de 2018, Trump impôs tarifas de 25% na importação de produtos chineses, um dia depois de Pequim determinar restrições a produtos americanos.
Fator Argentina
O professor destaca ainda, na avaliação geopolítica, a situação da Argentina, comandada hoje por Javier Milei.
“Estados Unidos, Brasil e Argentina são os principais produtores globais de soja. A Argentina, presidida por Milei, acrescenta um componente ideológico no mercado. Argentina quanto Estados Unidos não são amigáveis ao regime chinês. Com isso, o Brasil passa a gozar de uma situação privilegiada no contexto das relações comerciais com o país asiático. Isso é bom”, diz Nilson Costa.
“A demanda da China viria mais firme para o Brasil”, diz Alaíde. A analista salienta que, na primeira gestão de Trump, o conflito comercial resultou, inclusive, na existência de “prêmios chegando a mais de dois dólares por bushel no Brasil”.
Os dois especialistas, no entanto, consideram muito difícil prever variações na cotação da soja diante de uma vitória de Trump.
“É impossível controlar as variáveis deste mercado”, diz Alaíde.
“O preço da soja não está relacionado apenas à questão geopolítica. A dinâmica de formação do preço envolve relações doméstica e internacionais”, explica o professor, citando aspectos como o comportamento da Bolsa de Chicago, a taxa de câmbio e outras condições circunstanciais, como os prêmios citados por Alaíde.