O Brasil é o quarto maior produtor mundial da noz-pecã e o Rio Grande do Sul é responsável por quase 90% da produção nacional da fruta oleaginosa que promove uma série de benefícios à saúde. E que, além de saborosa, pode ser usufruída de uma infinidade de maneiras – de consumo in natura à composição em sorvetes, bolos, bolachas e muito mais. As utilizações culinárias, potencialidades nutricionais e a cadeia produtiva no Estado estiveram em discussão no Seminário Noz-Pecã: Potencial Nutricional e Cadeia Produtiva, realizado na quinta-feira, no escritório central da Emater/RS-Ascar, e que teve participação do Instituto Brasileiro de Pecanicultura (IBPecan), dirigentes da Emater/RS-Ascar, nutricionistas, empresários e produtores.
As realidades da cadeia da noz-pecã no Rio Grande do Sul foram detalhadas por Larissa Ambrosini, da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), e Antônio Borba, da Emater/RS-Ascar, detalhes baseados em pesquisa que teve a participação de 319 agricultores de um universo de 1.500 que cultivam a fruta. Conforme eles, o Rio Grande do Sul detinha, em 2023, 92% da área de noz-pecã no país, ou 4.445 hectares, para uma produção de 6.607 toneladas, uma evolução significativa para 2002, então com 1.386 hectares e 931 toneladas. Os números deixam o Estado como responsável por 88% da produção e 92% da área no Brasil.
O cultivo da fruta se dá predominantemente em propriedades familiares de até 20 hectares, com 50% das unidades, e até 50 hectares, área predominante para 70% das propriedades. E quase 70% da atividade é praticada exclusivamente pela mão de obra familiar. “É uma característica bem forte de agricultura familiar”, destacou Larissa. Além disso, a oleaginosa representa até 10% da renda para mais de 60% das propriedades, e até 30% para 18,5% das unidades. A fruta teve ampla adaptação na agricultura gaúcha porque prefere o frio, e inclusive, é originária dos Estados Unidos, que junto ao México respondem por mais de 91% da produção mundial – enquanto a África do Sul é a terceira maior produtora.
Precursor no RS
O empresário Edson Ortiz, proprietário da empresa Divinut, sediada em Cachoeira do Sul, uma grande produtora e exportadora da fruta, e um dos precursores da atividade no Estado, destacou que no dia do seminário ele completava exatamente 35 anos de dedicação à atividade. “Eu só queria trabalhar com a nogueira, pouca coisa importava”, revelou a intenção quando começou sua trajetória. Ele disse que no princípio se dedicava “35 horas por dia” à fruta. Ortiz mencionou pessoas e instituições que se dedicaram junto a ele para a transformação da atividade. “Eram poucas as pessoas que acreditavam”, contou. “A nogueira pecã quando iniciamos não era falada. Não tinha atenção de universidades”, acrescentou. “Em Agronomia, nem se ouvia falar em noz-pecã”.
Ortiz ainda descreveu todo o trabalho empreendido pela Divinut, que desenvolve pesquisas com a cultura e trabalha em sistema pioneiro de integração com agricultores, além de processar a fruta para atender ao mercado interno e exportar a uma série de países de quatro continentes. “Hoje estamos presentes em 76% dos municípios do Rio Grande do Sul, 43% de Santa Catarina, 20% do Paraná e 7% de São Paulo. Criamos um ecossistema que envolve muitos milhares de pequenos produtores, uma assistência técnica a campo”, descreveu. E ainda mencionou as muitas certificações que empresa possui ou está em vias de obter, assim como o grande feito da conquista de mercados externos, visto que o país não tinha a tradição em exportações da fruta.
Culinária diversa
No evento, nutricionistas ainda realçaram os muitos benefícios e propriedades nutricionais da fruta, assim como as múltiplas maneiras possíveis de ser preparada para ser consumida, inclusive com agregação de valor para quem a comercializa. Leila Ghizzoni e Adriana Conzatti, da Emater/RS-Ascar, relataram e mostraram imagens de alimentos com a noz-pecã como integrante, como snacks, salgados, pastas e patês doces e salgados, geleias, risotos, salada de folhas com mel, butiá e a fruta, picolé de cenoura com nozes e cenouras e brownie com erva-mate mais a oleaginosa, alimentos que estiveram em exposição na Cozinha Show, no Pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer.