Os preços recebidos pelos agricultores e pecuaristas gaúchos pelos produtos comercializados tiveram queda de 12,83% no ano passado, com destaques negativos ao arroz, com o maior encolhimento, de 46,9%, ao leite, -19%, e ao trigo, -17%. Já os custos de produção para o campo tiveram uma deflação acumulada de 1,09%.
Os levantamentos foram elaborados pela equipe da Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), e são denominados Índice de Inflação dos Preços Recebidos pelos Produtores Rurais (IIPR) e Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), acompanhamentos realizados mensalmente. Foi o terceiro ano consecutivo com deflação nos preços ao produtor, pois em 2024 a queda foi de 8,1%, e, no ano anterior, de 9,45%.
“O IIPR apresentou movimento oposto ao do IPCA Alimentos no acumulado do período”, ressalta a entidade. “Enquanto os preços recebidos pelos produtores acumularam queda de 12,83%, o preço dos alimentos ao consumidor final teve inflação de 2,95%, evidenciando que a alta nas prateleiras não decorre do produtor, mas do processo inflacionário ao longo da cadeia produtiva como um todo”, avalia.
Os custos estáveis, segundo a Farsul, foram impulsionados principalmente pela retração dos preços das commodities. “Além disso, contribuíram a desvalorização de 11% do dólar ao longo do ano, que reduziu os preços de alguns defensivos agrícolas, e a redução dos gastos com tributos de comercialização, em decorrência da queda do dos preços agrícolas”, ressalta.
Muita oferta
A principal razão para a queda mais acentuada em 2025 foi a maior oferta dos três produtos de maior baixa, arroz, leite e trigo, volume de produção que acabou por pressionar as cotações, explica a economista da Farsul Danielle Guimarães. Conforme ela, vários produtos tiveram a tendência de baixa, mas os três se destacaram.
“Temos observado uma desaceleração no preço do arroz muito brusca desde o ano passado até agora em função da safra brasileira ter sido 19% maior do que a anterior”, cita.
Ela acrescenta que houve aumento de área, sobretudo no Rio Grande do Sul, que somada às boas produtividades fez com que a oferta pressionasse os preços, hoje entre R$ 50 e R$ 52 a saca. “O arroz é o principal fator”, sintetiza, mas lembra que no leite ocorreu a mesma situação. No caso do trigo, no início de 2025 foi comercializada a expressiva safra de 2024, 43% maior ante a de 2023.
Sobre as perspectivas para este ano, Danielle entende ainda ser cedo para estimar o andamento dos preços, mas como a oferta sempre será determinante, ela faz o seguinte diagnóstico diante da possibilidade dos preços seguirem ruins:
“O que podemos analisar até agora é este mesmo fundamento, de como vai ser a oferta destes produtos mais para a frente. No caso do arroz, em que houve uma redução de área, mas talvez a redução de oferta não fosse o suficiente para trazer estes preços para patamares bons de novo”, avalia.
“Não quer dizer que este preço vai continuar caindo”, acrescenta, mas adverte que para o cereal pode não haver mudança no preço pela oferta ainda elevada, além de altos estoques. “Mas estamos falando só de um fundamento, que é a oferta. Existem vários outros que é muito cedo para comentar”, argumenta.