A pandemia da Covid-19 não vai prejudicar a contratação de trabalhadores rurais para atuar na colheita da safra 2021 da maçã. No Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha dos Produtores de Maçã (Agapomi) está alinhando um termo de compromisso com a Secretaria do Trabalho, vinculada ao Ministério da Economia, para estabelecer todos os protocolos que viabilizem a presença dos safristas na região dos Campos de Cima da Serra, líder da produção.
Somente no Estado, entre 10 mil e 12 mil trabalhadores devem ser contratados para a colheita, que vai do final de janeiro até meados de abril. Eles serão arregimentados em regiões gaúchas, entre tribos indígenas do Mato Grosso e no Nordeste.
O presidente da Agapomi, José Sozo, explica que os produtores já elaboraram o conjunto de ações a serem apresentadas à Secretaria do Trabalho, que incluem medidas básicas de higiene, uso escalonado dos refeitórios, limpeza e segurança no transporte dos alojamentos aos pomares e orientação para que os contratados restrinjam seus movimentos às áreas de trabalho, mesmo nas folgas. Sozo lembra que a colheita de 2020 foi concluída já dentro da pandemia, nos meses de março e abril. “Não registramos nenhum caso da doença”, ressalta.
Na próxima safra, a estimativa é que o Rio Grande do Sul colha entre 530 mil e 550 mil toneladas de maçãs, 48% do total brasileiro, previsto para 1,15 milhão de toneladas. Santa Catarina representa 51% da produção e o Paraná, cerca de 1%.
“Vamos ter uma boa safra, maior que a deste ano, que no Brasil ficou em 870 mil toneladas”, prevê o dirigente. Sozo garante que as geadas do inverno não trouxeram prejuízos significativos ao cultivo, mas diz que as macieiras ainda estão sujeitas à deriva do herbicida 2,4-D, em razão do atraso no plantio da soja. “Nós temos críticas à falta de comprometimento do governo do Estado em relação ao uso do herbicida, que é perigoso e deve ser banido”, reclama.
O secretário da Agricultura, Covatti Filho, refuta a queixa da Agapomi e afirma que, junto com o Ministério Público, o Estado vem monitorando e multando o uso indevido do 2,4-D. “A incidência neste ano nem se compara com a de anos anteriores”, sustenta Covatti.
Prevenção na colheita da maçã
Produtores já preparam protocolo sanitário para receber milhares de safristas no verão
