Voluntários da Organização Não Governamental (ONG) Princípio Animal se reuniram na tarde deste domingo em Porto Alegre, na Orla do Guaíba, nas proximidades da Usina do Gasômetro. A causa que reuniu os ativistas foi o fim da exploração de animais vivos em alto mar.
A ONG Princípio Animal iniciou no Brasil em meados de 2017, em coordenação com um movimento global que realiza ações de pressão legislativa no mundo.
Segundo Fernando Schell Pereira, diretor da ONG e doutorando em Filosofia pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) com foco em sistemas éticos, muitos países já proibiram o transporte de animais vivos por via marítima.
Mas, atualmente, milhares de animais, em especial bovinos, ovelhas e cavalos, ainda são embarcados vivos em diversos portos do Brasil, como é o caso do Porto de Rio Grande, por exemplo, no Rio Grande do Sul.
Ainda de acordo com o ativista, o local de onde sai o maior número de gados vivos para exportação é Barcarena, município do Estado do Pará.
Atualmente, segundo a ONG, existem mais de 120 navios no mundo inteiro que fazem o transporte de animais vivos.
“Não é uma realidade de toda a pecuária do Brasil isso. É uma porcentagem muito pequena, de questão de 2%, 3%. Tem muitos produtores que não fazem isso, né? E no caso esses poucos pecuaristas que lucram com essa exportação. É uma realidade bruta”, contextualiza Fernando Schell.
De acordo com Fernando, os navios usados são de grande porte, muitas vezes sucateados, e carregam cerca de 30 mil animais submetidos a viagens de até 30 dias em alto mar, com pouco espaço físico e pouca assistência veterinária.
“Eles dizem que os animais saem daqui com toda a questão do bem-estar animal em dia. Mas em alto-mar é que a coisa acontece. Porque esses animais estão num espaço pífio, esses animais ficam no meio dos dejetos deles e, infelizmente, as organizações como nós, que já entramos com cinco ações judiciais, não conseguimos pedir o básico que é fazer uma fiscalização alternativa para ver se existe mesmo bem-estar antes desses animais irem à exportação”, relata Fernando Schell.
Além de protestos como os que estão sendo realizados em diversas cidades do Brasil neste domingo, a ONG Princípio Animal também realiza pressões judiciais em defesa da causa animal e visitas aos navios para verificar os tratamentos e condições dadas aos animais embarcados.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, a exportação de animais vivos no Brasil é regulamentada pela pasta, privilegiando o bem-estar e a sanidade agropecuária. As Instruções Normativas 24/2014 e 46/2018 estabelecem procedimentos para a preparação e transporte de animais vivos por via marítima, fluvial, aérea ou terrestre.
Além disso, a exportação exige o Certificado Zoossanitário Internacional.
No Rio Grande do Sul, a maioria das cargas de gado vivo são embarcadas para países do Oriente Médio, como a Turquia e o Egito, para abate dentro dos preceitos muçulmanos e também para engorda e terminação, com o objetivo de repassar os animais dentro desses territórios.