“Fiquei bastante otimista, a ministra russa foi muito cordial. O trabalho está sendo feito, os contatos foram realizados. Tudo o que o governo russo nos pediu nós atendemos, agora estou esperando até terça-feira para uma definição da ministra”, disse Mendes Ribeiro nesta quinta, antes de participar de um evento no Fórum Social Temático (FST), na Capital.
Durante o encontro com a ministra russa, Mendes Ribeiro disse que explicou à colega que o serviço de inspeção dos frigoríficos brasileiros é federal, tornando injustificável o embargo feito a estados, como o ocorrido com o Rio Grande do Sul, terra natal do ministro, além do Paraná e de Mato Grosso, embargados totalmente. “Expliquei a ela que o nosso sistema de defesa não era regionalizado ainda, que estamos partindo para a regionalização, que hoje a nossa defesa é nacional, e que não tinha porque destruir alguns estados”, relatou.
O ministro não quis adiantar que contrapartidas o governo russo exigiu em resposta ao possível fim do embargo à carne brasileira. “A pauta é bem extensa. Ainda estamos tratando de outras políticas, temos a questão de alguns impostos diferenciados, é uma grande negociação. A Rússia é um parceiro que temos que manter de todas as formas possíveis”, avaliou.
Em 2011, embarques de carne brasileira para a Rússia reduziram 19,6%
Mendes Ribeiro veio ao FST para apresentar o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC), lançado em 2010 para incentivar a redução das emissões de gases de efeito estufa no setor agropecuário. Com orçamento inicial de R$ 2 bilhões, o programa só atendeu 3 mil produtores.
Segundo o ministro, o programa ABC é a “menina dos olhos” da presidenta Dilma Rousseff e vai ajudar o Brasil a cumprir a meta de reduzir as emissões nacionais de 36,8% a 38,9% até 2020. “Fizemos esse compromisso em 2009 e não podemos recuar. O Brasil está fazendo o dever de casa. A presidenta Dilma tem sido determinante quanto a isso: a agricultura é importante tanto quanto o meio ambiente, por isso minha integração com ministra Izabella Teixeira [ministra do Meio Ambiente] é permanente.”
