No final da tarde de quarta-feira, dia 23, as assessorias técnicas da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag) e Sistema Ocergs, entre outras entidades, estiveram reunidas com técnicos dos ministérios da Agricultura, Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e Fazenda, sem, no entanto, obter avanço na negociação das dívidas dos produtores. Irritado, o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva, disse que foi “mais uma reunião para marcar reunião”.
Segundo Joel, novo encontro foi agendado para a próxima terça-feira, dia 29, quando as entidades tentarão levar junto os bancos financiadores do agro, com dados sobre o endividamento.
“A Fazenda nos diz que os produtores gaúchos não estão inadimplentes, que estão, inclusive, investindo. Que não há dinheiro para o socorro, que o dinheiro que há será para o Plano Safra, e o produtor deve se alinhar dentro do Manual de Crédito”, comentou Joel.
Depois da reunião das assessorias técnicas, ocorreu uma reunião fechada entre os senadores gaúchos Luis Carlos Heinze e Hamilton Mourão com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. De acordo com o senador Heinze, o ministro teria acenado com a possibilidade de uma prorrogação emergencial para as dívidas que estão vencendo no momento, mas teria descartado a proposta de securitização das dívidas, com prazo para pagamento em 20 anos.
Os debates realizados na última terça-feira sobre o endividamento, na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados e na Farsul, realçaram a preocupação com a demora do governo federal em oferecer uma solução para o segmento. Na audiência pública, proposta pelo deputado federal Afonso Hamm (PP/RS), produtores e autoridades relataram as dificuldades que agropecuaristas gaúchos enfrentam para parcelar débitos acumulados em quatro safras frustradas.
Na Farsul, representantes do Banco do Brasil, Banrisul e Sicredi girou em torno da elaboração de um método que estratifique as dívidas. As instituições indicam dívidas superiores a R$ 30 bilhões para 2025 entre vencimentos normais e os já prorrogados.