Rural

Rio Grande do Sul tem alta de 179,1% em indenizações do seguro penhor rural

Estado liderou a movimentação de recursos em sinistros entre todas as unidades federativas

Aumento no pagamento de indenizações está relacionado aos fenômenos climáticos ocorridos no Estado
Aumento no pagamento de indenizações está relacionado aos fenômenos climáticos ocorridos no Estado Foto : Jesiel Boschetti Saldanha / Prefeitura de Nova Santa Rita / CP

Ao mesmo tempo em que liderou a arrecadação de seguro penhor rural no primeiro semestre de 2024, o Rio Grande do Sul também foi o estado que demandou o maior volume de indenizações a produtores.

Nos seis primeiros meses, dos R$ 477,6 milhões em indenizações da modalidade, desembolsados no país, R$ 147,7 milhões (32,8%) foram destinados a agropecuaristas gaúchos. O valor representa uma alta de 179,1% em relação aos R$ 52,9 milhões desembolsados no RS no mesmo período de 2023.

Os dados constam em levantamento da Confederação Nacional das Seguradoras (Cnseg) e Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). O seguro penhor rural atende à exigência de contratação de seguro para bens dados em garantia de empréstimos ou financiamentos oriundos de operações do crédito rural. A modalidade é utilizada nos estados mais representativos do agronegócio, incluindo, além do Rio Grande do Sul, Goiás, Paraná, Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

“O aumento das indenizações foi muito influenciado pelo fenômeno climático ocorrido no Rio Grande do Sul. Houve também estiagens [em 2022 e 2023]. Isso acabou impactando a produção agrícola e, em consequência, a segurança de bens materiais vinculados a financiamentos. Esse cenário elevou muito os sinistros”, diz Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, uma rede nacional de franquias especializada em crédito rural, e que oferece consultorias sobre seguro penhor rural.

Dados da Cnseg, constante em comunicado emitido no dia 27 de setembro, indicam que as fortes chuvas e enchentes de abril e maio no RS resultaram em 2.109 pedidos de indenização de seguro rural, somando R$ 177,7 milhões. Os números consideram apenas os sinistros relacionados ao fenômeno climático e incluem aqueles relacionados ao seguro penhor rural.

Depois do Rio Grande do Sul, o Paraná é a segunda unidade federativa com maior valor em indenizações no seguro penhor rural no primeiro semestre de 2024, com R$ 69,9 milhões em pagamentos, o que representa 15,5% do montante nacional. No Paraná, no entanto, o resultado indica uma redução de 3,9% em relação aos seis meses iniciais de 2023, quando as reparações somaram R$ 72,8 milhões.

Em Santa Catarina, tal qual no RS, os ressarcimentos também cresceram nos primeiros seis meses de 2024, atingindo R$ 34,1 milhões, 47,6% a mais do que os R$ 23,1 milhões do primeiro semestre de 2023. O Estado ficou na sexta posição entre as unidades da Federação no volume de liquidação de sinistros.

Alta na arrecadação

O levantamento Cnseg e FenSeg demonstrou também o desempenho da arrecadação do seguro penhor rural entre janeiro e junho de 2024. O faturamento chegou a R$ 1,6 bilhão, um crescimento de 14,3% em relação ao mesmo período de 2023.

Entre 2020 e 2023, o setor registrou um aumento de 107,1% na arrecadação e 75,7% nas indenizações, passando de R$ 1,4 bilhão e R$ 503,6 milhões, em 2020, para, respectivamente, R$ 2,9 bilhões e R$ 884,9 milhões, em 2023.

Ao avaliar a alta na arrecadação do seguro penhor rural, a FenSeg aponta a expansão das linhas de crédito rural no país e o desempenho do Banco do Brasil na implementação da modalidade como principais fatores de impulsionamento. Tanto a federação quanto BB Seguros não responderam aos questionamentos da reportagem sobre o aumento nas indenizações.

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