Rural

Sindilat/RS reúne setor lácteo e alerta para pressão nos preços do leite

Entidade aponta superoferta e importações como fatores de preocupação e defende aumento da competitividade para 2026

Jantar de confraternização de fim de ano ocorreu no Hotel Plaza São Rafael, no Centro de Porto Alegre
Jantar de confraternização de fim de ano ocorreu no Hotel Plaza São Rafael, no Centro de Porto Alegre Foto : Fabiano do Amaral

Em meio a um fim de ano delicado para o setor, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat/RS) realizou seu jantar de confraternização de fim de ano na noite desta quarta-feira, 17. No evento, ocorrido no Hotel Plaza São Rafael, no Centro de Porto Alegre, também foi entregue o Prêmio Destaques 2025 a personalidades e instituições que contribuem para o desenvolvimento do setor lácteo no Rio Grande do Sul.

Receberam a distinção:

- o deputado estadual Frederico Antunes;

- o secretário de Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação, Edivilson Brum;

- o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo;

- o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Rio Grande do Sul (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva;

- o presidente da Associação dos Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando), Marcos Tang;

- o futuro presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes.

Também foram homenageados o prefeito de Ijuí, Andrei Cossetin, e a Cooperativa Languiru Ltda, que completa 70 anos em 2025, além de Julia Bastiani, que completa 15 anos de atuação junto à entidade.

Jantar de confraternização de fim de ano do Sindilat/RS | Foto: Fabiano do Amaral

Em entrevista ao Correio do Povo, o presidente do Sindilat/RS, Guilherme Portella, disse que o ano do setor foi bom, mas o último trimestre trouxe uma situação preocupante. “Nós tivemos para toda a cadeia de produção um triênio positivo. O que não é o retrato agora dos três últimos meses, onde a gente tem sofrido especialmente por uma super oferta de leite no campo. Tem dados do IBGE recentes que apontam no último tri versus o mesmo tri do ano passado, um crescimento de 8% da produção, com um aumento de só 1% no consumo. Então isso leva a uma super oferta que atinge, logicamente, o preço de gôndola que bate no preço do campo. É um cenário agora imediato ainda de alguma preocupação”, avaliou.

Para 2026, o objetivo é melhorar a competitividade do setor. “Que a gente consiga ser tão produtivo quanto outros países vizinhos, como Uruguai e Argentina, ou países europeus, como a França, que produzem num custo abaixo e conseguem atingir terceiros mercados de exportação. Para que quando ocorra, como a gente está vivendo agora, uma superexposição de produto, ela possa ser escoada para outros países ou possa ser vendida para classes mais baixas com um custo interessante, que dê acesso à população”, disse.

Guilherme Portella dos Santos, Presidente do Sindilat/RS | Foto: Fabiano do Amaral

O vice-presidente do sindicato e diretor da cooperativa Santa Clara, Alexandre Guerra, vai na mesma linha e mostra preocupação com o crescimento da produção e das importações, o que puxou os preços para baixo e prejudicou o setor. “Quando o mercado sofre quedas de preços em razão da lei da oferta e da procura, pressionado pelo aumento da produção interna e pelas importações, essa redução acaba retornando ao produtor, afetando diretamente sua renda”, explica.

Para mudar este cenário, Guerra defende medidas governamentais para conter as importações e proteger a competitividade da produção local. “É importante que o governo possa adotar medidas para conter as importações, porque, querendo ou não, elas estão impactando o nosso mercado. Precisamos proteger o setor — e proteger o setor significa garantir condições para que possamos competir em igualdade com os produtos importados”, reivindicou.

Também presente no jantar, o secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado, Ernani Polo, disse que o governo estadual tem buscado novos mercados de exportação para desafogar a produção interna. “O governo do Estado vem trabalhando há algum tempo em ações para aumentar a competitividade do setor industrial, permitindo que possamos processar esse leite e exportar produtos com maior valor agregado. Nós somos um Estado que produz mais leite do que consome e, por isso, precisamos encontrar alternativas para escoar essa produção. Nesse sentido, nos últimos anos, especialmente neste ano, vêm sendo adotadas medidas tributárias”, argumentou.

Ao projetar 2026, o secretário concordou que é preciso aumentar a competitividade do setor para gerar um ambiente de mais segurança e estabilidade ao produtor. “Precisamos trabalhar para criar essas condições, garantindo que as indústrias gaúchas tenham competitividade para processar e escoar a produção. Vamos seguir e intensificar a abertura de novos mercados, pois isso ajuda a retirar um volume maior de produção daqui. Com isso, buscamos também dar mais estabilidade ao valor pago ao produtor, o que é essencial para o setor”, finalizou.

Ernani Polo, Secretário de Desenvolvimento Econômico do RS | Foto: Fabiano do Amaral