Rural

União de pequenas cooperativas facilita o acesso a novos mercados

A Agrifam foi criada no Litoral Norte há menos de dois anos pela reunião de três instituições, e agora já é composta por nove organizações e 4 mil agricultores

Para os cooperados a organização conjunta abre novas possibilidades de venda e de geração de renda
Para os cooperados a organização conjunta abre novas possibilidades de venda e de geração de renda Foto : Franchesco de Oliveira Y Castro / Emater/RS-Ascar / Divulgalção / CP

O Rio Grande do Sul contava até o ano passado com 375 cooperativas, o que congregava mais de 4 milhões de cooperados, segundo o Sistema Ocergs.

E entre as formas de organização do setor estão as cooperativas centrais ou cooperativas de segundo grau, formadas por, no mínimo, três cooperativas singulares e têm como objetivo integrar e fortalecer a atuação das associadas, descreve a Emater/RS-Ascar.

No Estado, um exemplo apontado pela instituição é a Agrifam, central criada em janeiro de 2025 a partir da união de três cooperativas do Litoral Norte: Coomafitt, Cooper Dom Pedro e Econativa. Atualmente, a organização reúne nove cooperativas associadas e envolve cerca de 4 mil famílias de agricultores do Rio Grande do Sul.

“Essas três cooperativas vinham trabalhando juntas, só que operando como singulares. Passado o tempo, houve a necessidade de prospectar novos mercados e, com isso, surgiu a ideia de fazer uma só organização para otimizar todo o processo administrativo e levar praticidade aos órgãos públicos, principal cliente que atendemos hoje”, conta o presidente da Agrifam, Adiecson Gross Bobsin.

RedeCoop

A central também integra a RedeCoop, associação que conecta cooperativas para atender mercados institucionais.

“Enquanto rede, a gente articula, organiza essas cooperativas, promove um espaço de diálogo, mas é através das centrais onde o processo comercial acontece”, comenta o coordenador administrativo da RedeCoop e membro da Agrifam, Bruno Engel Justin.

O nome Agrifam faz referência à agricultura familiar. Na central, serviços comuns às cooperativas, como vendas e logística, são realizados de forma conjunta.

“É a continuidade de um processo de cooperação. De ponta a ponta é o agricultor pensando como o alimento que ele produz vai chegar aos consumidores”, explica Bruno Justin.

Contratos maiores

Na prática, a união viabiliza o acesso a outros mercados e aumenta a capacidade das cooperativas para atender contratos públicos e privados maiores. Já para os agricultores, a organização conjunta abre novas possibilidades de venda e de geração de renda.

“A gente já comercializava pela cooperativa, mas estar junto na Agrifam aumentou bastante as vendas porque a gente tem mais espaço de atuação. Não só para minha família, mas olhando o conjunto dos agricultores associados. Isso melhorou bastante a renda”, relata a associada da Agrifam e presidente da Econativa, Anelise Becker.

O extensionista da Emater/RS-Ascar, Claudio Degrazia Nadler, também acentua as vantagens dessa forma de organização.

“O principal benefício [aos agricultores] é vender o seu produto em maior quantidade, com preço melhor e com a logística compartilhada. E esses benefícios vão representar uma melhora de renda, melhora das condições de vida das famílias e do município onde esses produtores estão situados, porque a renda fica na cidade”, avalia.

A atuação conjunta das cooperativas por meio da Agrifam ampliou, ainda, a variedade de produtos ofertados, reunindo alimentos de diferentes regiões do Estado.

“Nós conseguimos ofertar os produtos perecíveis e não perecíveis, produtos congelados. Dentre eles, nossos principais são arroz orgânico, feijão, suínos e bovinos”, comenta Adiecson Bobsin.

Desde a sua criação, a Agrifam também multiplicou o número e o valor dos contratos.

“Em 2025, nós faturamos uma nota fiscal, totalizando um faturamento de R$ 300 mil. Durante 2026, nós já ultrapassamos mais de 1.200 notas emitidas, com uma média de 70 toneladas de produtos comercializados por mês”, ressalta o presidente da cooperativa, Adiecson Bobsin.

“Eles tiveram um crescimento exponencial, o que mostra para nós e para eles que a escolha do modelo deu certo”, completa o extensionista Claudio Nadler.

Para o futuro, os associados almejam expandir a atuação da central. “A perspectiva é de continuar inserindo novas cooperativas para prospectar novos mercados”, acrescenta Bobsin.

O extensionista da Emater/RS-Ascar, Claudio Nadler, finaliza enfatizando que o caminho pode gerar bons resultados para todos. “É tudo fácil? Não, é desafiador. Mas à medida que as pessoas vão entendendo isso e vão se acostumando com a ideia de agir coletivamente, o sucesso é natural”.

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