Rural

Vendavais e granizo dizimam lavouras pelo RS

Plantações de milho, soja e trigo, além de estruturas como silo e pivô, foram destruídas ou muito danificadas

Milho da lavoura de Lauricio Librelotto Rubin, de Fortaleza dos Valos: R$ 7 mil de prejuízo por hectare
Milho da lavoura de Lauricio Librelotto Rubin, de Fortaleza dos Valos: R$ 7 mil de prejuízo por hectare Foto : Divulgação / CP

Muitos agricultores de variados municípios tiveram perdas generalizadas causadas por temporais de ventos e granizos desde a tarde desta terça-feira, 3, incluindo a noite e madrugada para quarta.

Grupos de whatsapp integrados por produtoras compartilharam dezenas de fotos e de vídeos de lavouras de milho e trigo, este cultivo já na fase para ser de colhido, além de soja em emergência, dizimados pelas intempéries em municípios das regiões do Alto Jacuí e do Planalto Médio.

Além de plantações, os danos ocorreram também em estruturas físicas da propriedade, como de armazenagem, por exemplo, um silo completamente destruído, assim como pivôs de irrigação tombados. E ainda postes de energia elétrica caídos.

Até a manhã desta quarta-feira, 4, a Emater/RS-Ascar ainda não tinha uma avaliação do tamanho e da abrangência dos prejuízos. A instituição informou que as equipes estavam elaborando os levantamentos, mas os episódios de chuvas fortes a granizo nem ao menos tinham se encerrado pelo Estado para a elaboração e divulgação de uma análise mais completa da dimensão das perdas.

O produtor Lauricio Librelotto Rubin, de Fortaleza dos Valos, na região de Alto Jacuí, poderá ter um prejuízo de R$ 1,5 milhão na sua lavoura de milho caso os 220 hectares do cereal tenham perda total, uma média de R$ 7 mil por hectare.

“Não sabemos as perdas ainda porque temos que esperar de 7 a 10 dias para avaliar se o ponto de crescimento do milho se encontra viável ainda. Depois disso, (vamos) tomar a decisão se deixamos o milho desenvolver ou dessecamos tudo e plantamos soja em cima”, descreve Rubin a lavoura que não tinha seguro.

Ele também teve o pivô de irrigação tombado, composição que tem seguro, mas vai levar de 20 a 40 dias para retomar o funcionamento.

Pivô de irrigação da Lauricio Rubin: de 20 a 40 dias para voltar a funcionar | Foto: Divulgação / CP

“A região foi bastante afetada. Os prejuízos na região são enormes. Uns (produtores) mais, outros menos”, descreve o cenário ocorrido em municípios como Selbach, Tapera, Fortaleza dos Valos, Boa Vista do Incra, Espumoso, Ibirubá, Vitor Graeff e Quinze de Novembro.

Conforme o agricultor, um vendaval com baixa incidência de granizo ocorreu por volta das 18h30 da terça-feira. “Nesse horário, a região de Tapera e Espumoso foi muito castigada com vendaval e granizo”, conta. “Na minha região (Fortaleza dos Valos) o temporal com granizo aconteceu pelas 23h30min”, complementa.

Já em Tapera, também na Alto Jacuí, o agricultor Henrique Koch teve prejuízos nas lavouras de soja e de milho.

“Na soja, 90 hectares se foi 100%. No milho, de 200 hectares semeado pegou em torno de 160”, avalia. “Mas tem casos piores que o meu (na região)”, acrescenta, como uma lavoura de trigo pronta para a colheita totalmente dizimada.

Koch tinha seguro em apenas parte do milho. “Estamos descapitalizado em virtude das últimas secas. E o seguro tem que ser pago na hora da contratação”, explica.

Da lavoura de 200 hectares de milho de Henrique Koch cerca de 160 foram atingidos | Foto: Divulgação / CP

Conforme ele, os prejuízos foram generalizados pela região.

“Tem muita gente afetada. Passa ‘frouxo’ de 1.000 hectares só em Tapera”, estima.

“O pessoal do leite está sem luz, pedindo gerador”, revela. “O acumulado de chuva passa de 180 milímetros. Não tenho fotos de hoje (quarta-feira) pois várias estradas não dão acesso, estão bloqueadas”, descreve.

“Foram dois eventos: um por volta das 16h20min e outro por volta das 23h15.”

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