Especialistas em economia, geopolítica, agronegócio, meio ambiente, biocombustíveis e outras áreas projetaram cenários futuros para o agronegócio e sustentabilidade no contexto brasileiro e mundial na segunda edição do seminário Campo das Ideias, em Porto Alegre, no teatro do Bourbon Country, durante toda esta quinta-feira (9).
“Não se faz mais produção agropecuária sem indústria, comércio e serviços”, lembrou Eduardo Condorelli, superintendente do Senar/RS, instituição que promoveu o evento que atraiu centenas de pessoas no público e lideranças do agronegócio.
“É um evento que mais que palestras técnicas, objetivamos uma grande reflexão”, ressaltou o dirigente.
O economista, professor e imortal da Academia Brasileira de Letras Eduardo Giannetti descreveu os momentos os principais ciclos que a globalização econômica passou, sobretudo na relação entre os países, desde o final do século XIX até momento. E as oportunidades que o Brasil, sobretudo o agronegócio, tem em relação aos novos cenários que se projetam.
Segundo ele, o mundo vivenciou etapas bem marcantes e definidas quanto à interação entra as economias (com ganhos e perdas do Brasil), como de 1870 a 1914, com e eclosão da Primeira Guerra Mundial, a fase pré Segunda Guerra, a sequente divisão entre Estados Unidos e a comunista União Soviética, a liberalização econômica das lideranças Ronald Reagan e Margaret Thatcher e a entrada da China neste contexto e, portanto, o advento da hiperglobalização.
E, depois, a crise econômica mundial de 2008/2009 e a pandemia, assim como o protecionismo de Donald Trump.
Agora, Giannetti, define como “nova fase”, para ele uma grande oportunidade para o Brasil. Segundo ele, o país tem uma “interlocução tranquila, pacífica, aberta com os nossos vizinhos e com os grandes atores da economia mundial: Estados Unidos, China e União Europeia”, definiu.
“Podemos negociar se há termos e acordos e regras com esses atores que nos beneficiam na medida em que eles são rivais e nós podemos arbitrar”, acrescentou.
“Somos dotados de biodiversidade, de sociodiversidade, de recursos naturais em abundância no agronegócio, na água doce, na energia solar. Somos uma potência alimentar que apenas começa a se afirmar no mundo, há muito espaço para a gente crescer”, complementou.
“Basta lembrar que a primeira coisa que fazem as pessoas quando melhoram de vida é comer melhor. É comer mais proteína, é exigir mais qualidade, é exigir mais diversidade de dieta”, disse. “Temos uma potencial extraordinário na energia renovável, na transição energética, energia solar, biocombustível, energia eólica, hidrogênio verde, temos um potencial imenso para crescer.”
Segurança alimentar do mundo
O representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, destacou o crescimento das exportações da agropecuária brasileira nos recentes e a relevância que o país tem na segurança alimentar no planeta, uma vez que ONU projeta a necessidade do planeta ampliar em 70% a produção mundial de comida até 2050.
“O Brasil é um fornecedor do sistema agroalimentar mundial. Sua contribuição é importante, é essencial para manter a segurança alimentar do mundo, não apenas do país, mas do mundo”, afirmou.
“E além do mais, sendo um dos principais produtores e exportadores agrícolas do mundo, o Brasil também tem um papel central na estabilidade dos preços no mercado”, complementou. E, neste contexto, listou alguns dos riscos que a agricultura brasileira enfrenta, como, por exemplo, a importação de quase 80% dos fertilizantes que utiliza em suas lavouras,
O embaixador e presidente da COP30, André Aranha Corrêa do Lago, destacou o quanto a agricultura brasileira ganhou relevância na COP30, em Belém, em novembro passado, com a reservar de um espaço exclusivo, a Agrizone.
“Eu acho que a COP30 mostrou o quanto o setor do Brasil está consciente das consequências do aumento do clima e está consciente também do quanto pode contribuir, inclusive, para essa questão da captura de carbono, de terras degradadas, que é uma coisa muito impressionante no Brasil”, esclareceu.
“Hoje a discussão de mudança do clima é uma discussão essencialmente econômica por consequências sociais gigantescas. Portanto, todos têm que participar dessas discussões, acompanhar esse tema”, lembrou.
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