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ABS-RS reúne sommeliers e produtores para degustação de vinhos Grande Ouro em Bento Gonçalves

Masterclass antecede o Dia Nacional do Sommelier e apresenta 20 rótulos brasileiros premiados na 13ª edição do Brazil Wine Challenge

Encontro colocou em evidência os múltiplos “sotaques” do vinho nacional, ampliando as fronteiras para além do tradicional terroir gaúcho
Encontro colocou em evidência os múltiplos “sotaques” do vinho nacional, ampliando as fronteiras para além do tradicional terroir gaúcho Foto : César Silvestro / Divulgação / CP

Às vésperas do Dia Nacional do Sommelier, celebrado em 29 de agosto, a Associação Brasileira de Sommeliers – Seção Rio Grande do Sul (ABS-RS) e a Associação Brasileira de Enologia (ABE) reuniram cerca de 90 pessoas no CIC Bento Gonçalves para uma degustação orientada de 20 rótulos brasileiros premiados com a Medalha Grande Ouro no 13º Brazil Wine Challenge (BWC). Entre os participantes estavam alunos da entidade, produtores, parceiros, jornalistas e apreciadores.

A data marca a regulamentação da profissão no Brasil pela Lei 12.467, sancionada em 26 de agosto de 2011 e publicada no Diário Oficial da União três dias depois. O calendário internacional da categoria segue outro marco, em 3 de junho, em referência à fundação da Association de la Sommellerie Internationale (ASI), em 1969.

➡️ A lei brasileira define o sommelier como o profissional que executa o serviço especializado de vinhos em eventos gastronômicos, hotelaria, restaurantes, supermercados, enotecas e comissariaria de companhias aéreas e marítimas.

Mais do que colocar grandes vinhos brasileiros lado a lado, a proposta do evento foi aproximar quem está por trás das garrafas de quem tem a missão de apresentá-las ao consumidor.

“Nosso papel enquanto sommelier é exatamente esse: entender essa história e poder transmiti-la”, resume Caroline Dani, presidente da ABS-RS e uma das anfitriãs do encontro.

A degustação na noite desta quinta-feira, 27, foi dividida em quatro baterias de cinco rótulos, conduzidas pelos próprios produtores. A seleção contemplou espumantes, frisantes e tintos, além de elaborações específicas como o licoroso da Cave Antiga.

Degustação orientada reuniu cerca de 90 apaixonados por vinhos, entre alunos da ABS-RS, produtores, jornalistas e apreciadores | Foto: César Silvestro / Divulgação / CP

🍷 Falar em “vinho brasileiro” no singular não dá conta da diversidade do país

Ainda que classificados em uma mesma categoria, os vinhos carregam personalidades distintas, com marcas de sua elaboração perceptíveis em suas cores, aromas, estruturas e, naturalmente, sabores.

O encontro também colocou em evidência os múltiplos “sotaques” do vinho nacional, ampliando as fronteiras para além do tradicional terroir gaúcho.

Além do Rio Grande do Sul, as mesas receberam exemplares de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Brasília, divididos entre viticultura tradicional e técnicas de dupla poda. Com solos, altitudes e calendários próprios, cada região imprimiu sua assinatura na taça, oferecendo aos participantes a chance de notar como território, clima, casta e intervenções do enólogo se traduzem na experiência sensorial.

Na mastercalass, produtores, enólogos e proprietários compartilharam detalhes sobre os vinhos premiados com a Melhada Grande Ouro | Foto: César Silvestro / Divulgação / CP

Nas mesas, o formato inverteu a lógica dos concursos. A cada bateria, enólogos e proprietários assumiram a palavra para compartilhar os bastidores de cada garrafa, detalhando as escolhas das variedades, o comportamento da safra, o manejo no vinhedo e as decisões de elaboração.

“Normalmente os produtores não têm essa voz. Quando ele manda um vinho para um concurso, isso não chega ao jurado, que degusta às cegas e não sabe nem que produto é. A gente não tem a história”, explica Caroline Dani. “No briefing eu disse a eles: não quero saber o que está na ficha técnica, ela vai estar exposta. Quero que vocês contem o porquê, como chegaram até aqui.”

Para a presidente da ABS-RS, o sommelier é um contador de histórias. “Ele liga o produtor ao consumidor, o vinho à mesa, a tradição à experiência, é quem ajuda o vinho a encontrar a pessoa certa, o momento certo e a emoção certa”, finalizou.

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O concurso BWC ocorreu de 16 a 19 de junho, no Centro Empresarial de Bento Gonçalves, e é o único concurso brasileiro chancelado pela OIV. A edição deste ano, a maior da história, recebeu 1.127 amostras de 19 países, avaliadas às cegas por 91 especialistas de nove nacionalidades ao longo de 12 horas de degustação.

A ABE elevou em um ponto a nota mínima de cada categoria, e a Grande Ouro passou a exigir 94 pontos ou mais. Ainda assim, os inscritos preencheram integralmente a cota de 30% de premiados prevista no regulamento: foram 61 Grande Ouro e 336 Ouro, somando 397 medalhas para 160 vinícolas de 15 países. O Brasil levou 241 prêmios, 28 deles Grande Ouro.