Rural

Arroz em “recuperação lenta, mas consistente’, destaca consultoria

Conforme Safras e Mercado, cotação se aproxima de R$ 60/saca no Rio Grande do Sul, 1,21% a mais que um mês atrás

No primeiro semestre as exportações gaúchas do cereal foram 36% maiores em receita na comparação ao mesmo período do ano passado
No primeiro semestre as exportações gaúchas do cereal foram 36% maiores em receita na comparação ao mesmo período do ano passado Foto : Sebastião José de Araújo / Embrapa / Divulgação / CP

Um conjunto de fatores vem favorecendo uma recuperação lenta, porém consistente, das cotações, com a média da saca de 50 quilos gaúcha aproximando-se de R$ 60, indicando uma melhora gradual na formação dos preços, ainda que distante de representar plena recomposição da rentabilidade do setor. A afirmação é do analista e consultor de Safras & Mercado Evandro Oliveira.

No comércio exterior, o fluxo de embarques continua exercendo papel decisivo para o equilíbrio do mercado doméstico.

“De qualquer forma, caso o Brasil não alcance aproximadamente 2 milhões de toneladas exportadas na temporada, a tendência será de manutenção de elevados estoques de passagem para 2027”, lembra o consultor.

“Esse excedente poderá amortecer parte dos efeitos positivos decorrentes da esperada redução de área e da possível diminuição da produção na próxima safra, tornando mais lento o processo de ajuste entre oferta e demanda”, explica.

Queda de área nos EUA

“O principal destaque da conjuntura internacional está concentrado na divulgação do relatório oficial de área plantada dos Estados Unidos, que trouxe uma mudança significativa”, pondera o analista.

A área destinada ao arroz longo fino, segmento que concorre diretamente com o produto brasileiro nos principais mercados importadores, foi reduzida de aproximadamente 857 mil para cerca de 565 mil hectares, representando uma expressiva retração de 293 mil hectares, equivalente a 34,1%.

Arkansas, maior estado produtor norte-americano, respondeu pela maior redução absoluta, com perda aproximada de 182 mil hectares.

“Esse movimento tende a fortalecer a posição do arroz brasileiro, ampliando as oportunidades de conquista de mercados tradicionalmente abastecidos pelo produto norte-americano, especialmente em um contexto de melhora da paridade de exportação e de maior competitividade do Brasil”, aposta Oliveira.

Diante disso, a média da saca de arroz no Rio Grande do Sul (58%/62% de grãos inteiros, pagamento à vista) encerrou o dia 30 de junho cotada a R$ 59,80, alta de 0,60% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do mês de maio, o avanço foi de 1,21%, enquanto, em relação a 2025, a desvalorização atingiu 9,12%.

Exportações do RS aumentam

E, segundo balanço de exportações do agronegócio gaúcho divulgado nesta terça-feira (7) pela Assessoria Econômica da Federação da Agricultura do RS (Farsul), os embarques do cereal cresceram 17,4% em valor e 33,8% em volume em junho deste ano ante o mesmo mês de 2025: US$ 50,710 milhões e 169.626 toneladas em junho/2026 e US$ 43,127 milhões e 126.788 toneladas em junho/2025.

“O avanço foi puxado por Costa Rica, Senegal, Gâmbia, Venezuela, Canadá, Cuba e Peru. Em sentido contrário, houve queda para México, Países Baixos, Panamá, Portugal, Cabo Verde e Espanha. O volume cresceu mais que o valor, sinalizando expansão física dos embarques com preço médio menos favorável. Interessante diversificação de destinos na América Central, Caribe e África”, esclareceu a entidade.

Já no primeiro semestre, as exportações do cereal foram 36% maiores em receita, de US$ 192,384 milhões de janeiro a junho de 2025 para US$ 260,896 milhões em igual período deste ano. E em volume, o aumento foi de 88%: 896.935 toneladas no recente primeiro semestre e 477.172 no mesmo período do ano passado.

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