Em encontro realizado na própria sede regional, em Porto Alegre, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) anunciou, na manhã desta sexta-feira, 21, que antecipará a execução de contratos de opção de venda de arroz.
Originalmente, o vencimento dos 3.396 contratos estabelecidos em 2024 estava previsto para agosto, mas, agora, foi transferido para começar a partir abril. De acordo com o presidente da estatal, Edegar Pretto, a iniciativa tem a intenção de garantir renda ao produtor, estimular a produção para atender o consumo interno e formar estoques públicos.
Por exigência normativa, a decisão deverá contemplar, na prática, no quarto mês, apenas as transações estabelecidas na Fronteira Oeste. Isso porque os contratos só podem ser executados quando encerrada a colheita em cada região produtora. Conforme dados do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), divulgados nesta quinta-feira, 20, a Fronteira Oeste lidera a ceifa no Estado, com os trabalhos concluídos em 60,2% da área semeada.
O preço a ser pago pela saca de 50 quilos deverá sofrer deságio. Para os orizicultores que preferirem o vencimento em agosto, está previsto o valor de R$ 87,62, incluindo custos logísticos e financeiros que deverão sofrer desconto proporcional à antecipação. Assim, para a Fronteira Oeste, em abril, a Conab deverá pagar R$ 82,65 pela saca.
Leitura correta
Sob críticas comandadas principalmente pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz/RS), entre novembro e dezembro a companhia de abastecimento realizou três leilões de oferta dos contratos de opção.
Na oportunidade, a entidade de representação gaúcha apontava que o valor oferecido pela estatal encontrava-se abaixo dos custos de produção e das cotações praticadas pelo mercado. A Conab dispunha de um crédito extraordinário de R$ 1 bilhão, para aquisição de até 500 mil toneladas de arroz. Os certames foram concluídos com a compra de 91,7 mil toneladas, com um investimento de R$ 162,2 milhões.
“Toda a fundamentação do contrato de opção que a Conab fez é rigorosamente técnica. É leitura de mercado interno, é a leitura do mercado internacional, é a produção no Brasil, é a produção do Mercosul, é a produção na Índia, a liberação da exportação no mundo para chegarmos nesse momento. Lá atrás nós sabíamos”, afirmou o presidente da Conab.
O vencimento em agosto havia sido definido em razão de aquele mês ser, segundo Pretto, um período de baixa na cotação do grão, quando então os produtores teriam a opção de confirmar o negócio com o governo, assegurando um preço melhor.
Aumento da oferta
A queda do valor ocorrida em março, resultado de maior oferta do cereal, tanto nas estimativas de produção nacional quanto no exterior, estimulou a Conab a oferecer a antecipação dos vencimentos. Pretto lembrou que o arroz estava em alta quando o projeto dos contratos de opção foi lançado, mas que a companhia fez uma “interpretação correta” ao prever o período de baixa.
Pretto comparou o contrato de opção a um seguro, com custo muito inferior.
“Na hora de vender, se quiser vender para o mercado, vende para o mercado. O contrato é só um gesto de segurança e garantia que o governo está dando para nossos agricultores”, disse Edegar Pretto.
