Rural

Conflito no Oriente Médio ainda não influencia as cotações na pecuária gaúcha

Avaliação é do NESPro, mas que não descarta reflexos da guerra no Irã nos preços nas próximas semanas

O cenário na pecuária do Rio Grande do Sul segue marcado por maior oferta de carne no mercado interno, com entrada de produto do Brasil Central
O cenário na pecuária do Rio Grande do Sul segue marcado por maior oferta de carne no mercado interno, com entrada de produto do Brasil Central Foto : Wenderson Araujo / Trilux / CNA / Divulgação / CP

O mercado do boi gordo apresentou valorização apenas na categoria vaca gorda a peso vivo. Na semana anterior, o movimento positivo havia sido observado na vaca comercializada a rendimento de carcaça. As demais categorias permaneceram estáveis.

Foi o que apurou a Análise Semanal de Preços do Gado Gordo e de Reposição, promovido pelo Núcleo de Estudos em Sistemas de Produção de Bovinos de Corte e Cadeia Produtiva (NESPro), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

“O cenário segue marcado por maior oferta de carne no mercado interno, com entrada (No Rio Grande do Sul) de produto proveniente do Brasil Central, enquanto o consumo se mantém estável”, avalia o NESPro.

“A carne oriunda de fêmeas é a que enfrenta maior concorrência nesse contexto, o que amplia a disputa por mercado e limita reajustes mais amplos nas cotações”, acrescentou.

“No ambiente externo, há sinais de instabilidade que ainda não se refletiram diretamente no Rio Grande do Sul, mas que podem influenciar o comportamento dos preços nas próximas semanas”, projeta o Núcleo.

Na reposição, o mercado voltou a registrar médias negativas na maioria das categorias. O movimento está associado ao menor dinamismo observado no gado gordo e à redução nas exportações de gado vivo nos últimos dias, fatores que contribuem para um ambiente de negociações mais contido.

Exportações

Os dados da exportação de carne bovina in natura referentes a fevereiro foram divulgados pela Secex. “Conforme vínhamos tratando aqui, o desempenho das exportações segue surpreendente”, avaliou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq. “Com apenas 18 dias úteis, o mês registrou recorde de exportação. Foram embarcadas 235,889 mil toneladas de carne bovina in natura, aumento de 23,9% em relação a fevereiro de 2025, que, com 22 dias úteis, exportou 190,457 mil toneladas”, destacou.

O volume embarcado por dia segue em patamares elevados, com média de 13,105 mil toneladas em fevereiro. A média atual é 37,6% maior que a registrada em fevereiro de 2025. E o preço médio ficou na casa de US$ 5.640,85/tonelada. Os embarques de fevereiro trouxeram ao Brasil US$ 1,33 bilhão.

“Vale destacar que, com apenas dois meses encerrados em 2026, o Brasil já acumula 467,711 mil toneladas exportadas de carne bovina in natura. No mesmo período de 2025, haviam sido embarcadas 370,931 mil toneladas, o que representa um crescimento de 26,1%”, mencionou o Cepea.

Cotações das categorias no RS

Vaca gorda a peso vivo: +0,1%

Terneira: −7,7%

Novilha: −1,5%

Terneiro: −3,2%

Novilho: −6,7%

Fonte: NESPro | Foto:

Fonte: NESPro | Foto:

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