A ideia da Cozinha Experimental Memorial da Evolução Agrícola (MEA), em Horizontina, é utilizar a prática culinária como ponto de partida para preservar saberes e tradições gastronômicas do Noroeste gaúcho e, ao mesmo tempo, estabelecer diálogos com a agricultura, a gastronomia contemporânea e as experiências dos próprios participantes. Nesse contexto, a cozinha é entendida como um espaço de educação que acontece fora da escola, mas que pode dialogar diretamente com o currículo e com a realidade dos estudantes.
Geovanni Lima, do Instituto de Artes da Universidade Federal de Uberlândia, atuou como consultor na elaboração do Programa Educativo da Cozinha Experimental MEA. Para o professor, uma das principais potências do ambiente está justamente na possibilidade de transformar conteúdos abstratos em experiências concretas.
Ao preparar um alimento, o estudante pode conhecer ingredientes, observar transformações, conversar sobre sua origem e produção e relacionar o que está fazendo com suas próprias memórias e experiências familiares. “Tem uma coisa que é muito mais interessante, que é como esse currículo se articula na vida”, resume Geovanni.
A Cozinha Experimental também se conecta a outros espaços e projetos do MEA, como a Estação Cultivar. A proposta é aproximar diferentes etapas do ciclo do alimento: compreender de onde ele vem, como é produzido e cultivado e, depois, experimentar o seu preparo.
Essa relação entre agricultura e cozinha foi percebida pela chef Flávia Mu, participante do Edital Sabores da Terra, durante uma atividade com estudantes de escolas de Horizontina. Para ela, a cozinha é uma parte fundamental da narrativa de um memorial dedicado à evolução agrícola.
Aprender fazendo
A dimensão prática é central também na experiência da EMEF Bela União, de Horizontina, que desenvolve semanalmente atividades na Cozinha Experimental MEA por meio do projeto Bela Mais Bela, continuidade da iniciativa selecionada no Edital Prosas com a Escola de 2025. No turno integral, uma turma diferente do 1º ao 5º ano participa da atividade a cada semana.
As atividades são adaptadas às diferentes faixas etárias. Com os estudantes menores, por exemplo, as experiências podem envolver frutas, verduras e preparações que não exigem o uso de panelas, explorando aspectos como cheiro, toque, textura e sabor. Em outros momentos, os alunos participam diretamente do preparo dos alimentos.
Para a diretora da escola, Derciane Kaim Rossi, a frequência transforma a relação dos estudantes com o museu. “O estudante deixa de ser visitante e passa a ser protagonista”, afirma.
Segundo ela, a continuidade permite que uma curiosidade inicial se transforme em investigação e autonomia. A escola também tem percebido mudanças na relação das crianças com os alimentos: ingredientes que antes geravam resistência passam a ser experimentados de outras maneiras. “O ‘não gosto’ muitas vezes deu lugar ao ‘posso experimentar?”, relata Derciane.
