O diretor vice-presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho Lopes, considera muito oportuno o documento “Agropecuária Brasileira na COP 30”, elaborado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que detalha o posicionamento do agronegócio na 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), de 10 a 21 de novembro, em Belém/PA.
O dirigente, que já participou de três edições da COP e estará em Belém, define como “extremamente importante” contextualizar que, desde Glasgow, em 2021, a agricultura tem participação importante na convenção. “Tanto é que, desde Sharm el-Sheikh (Egito, 2022), temos o Dia da Agricultura dentro da COP, e também o Grupo de Sharm el-Sheik, que trabalha a agricultura como solução da questão do aquecimento global sob o ponto de vista de adaptação”, afirma.
A “adaptação” designa o conjunto de ações e estratégias que visam reduzir os impactos negativos das mudanças climáticas. “A atividade primária é a única que pode sequestrar e armazenar carbono, tendo um balanço negativo”, esclarece.
O dirigente avalia que o foco do documento foi consolidar, ao enviado especial da agricultura para a COP30, o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, as demandas do setor produtivo brasileiro. Assim como, esclarecer que tudo o que se conhece hoje em emissões e métricas no campo tem como paradigma o Hemisfério Norte, uma agricultura praticada em clima temperado. “Nós queremos ter a métrica da agricultura tropical”, lembra.
“Qual a atividade que tem safra, safra e meia, duas ou duas safras e meia num mesmo período e na mesma área? Quem realiza a fotossíntese em suas culturas o ano todo? Quem tem clima subtropical gerando mais de uma safra/ano?”, questiona, referindo-se ao ambiente brasileiro de produção, não a Estados Unidos e Europa, com dois a três meses de neve e luminosidade baixa.
Lopes diz que métricas já apresentadas pelo Brasil à FAO e à ONU demonstram que a agricultura brasileira produz com 15% a 22% a menos de emissão. “A tropicalização dos dados é uma das metas importantes que o Brasil como país, leia-se Embrapa, Ministério da Agricultura, Ministério do Meio Ambiente e entidades privadas. E vai fazer com que haja um novo inventário e uma nova maturação dos dados sobre emissões, em especial sobre o Hemisfério Sul e, no caso, o Brasil”, revela.
“A FAO e a ONU preconizam a agricultura de baixo carbono brasileira, que nasceu no Rio Grande do Sul, como a agricultura que deve ser realizada para todo o mundo como mitigadora e de adaptação para a questão do aquecimento global”, acrescenta Velho.
Métricas para a agricultura tropical
Conforme o dirigente, a importância do documento elaborado pela CNA também é que o segmento de pesquisas tenha métricas e identidade com a agricultura tropical realizada no Brasil. “É este o foco que passamos ao ex-ministro Roberto Rodrigues para mostrar que já somos… primeiro, que a agricultura é solução, jamais problema; e, segundo, que os dados sobre a agricultura, tanto sobre métricas de reconhecimento de mitigação e adaptação quanto aos dados de inventário, precisam ser validados para a realidade do Hemisfério Sul”, ressalta.
Domingos Velho Lopes ainda destaca que sob o ponto de vista técnico e científico as COPs são uma “grande oportunidade” de exposição para o agro, especial ao setor brasileiro, que é o maior exportador líquido e um grande produtor de alimentos, e que se encaminha a novas conquistas nos próximos dez anos em produção e/ou exportação.
“E isso precisamos mostrar para a sociedade urbana que desconhece a pauta porque, em especial no Brasil, a pauta ambiental foi muito utilizada como uma plataforma ideológica e partidária e não técnico-científica”, lembra. “O nosso objetivo como Brasil, como atividade do agro é mostrar a parte científica que demonstra que o agro é a solução para o armazenamento e sequestro de carbono nas emissões das atividades geradas por todo o segmento”, explica.
