Tabaco, carnes suína e de frango, boi vivo, milho e trigo levaram o agronegócio gaúcho a ampliar o valor de suas exportações em março em 9,1% ante o mesmo mês do ano passado. No mês passado foi embarcado o total de US$ 1,10 bilhão, enquanto no mesmo período do ano passado somou US$ 1,01 bilhão. O volume das exportações, entretanto, se mostrou estável, com uma leve alta de 0,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior, então em 1,95 milhão de toneladas.
“Este resultado é um reflexo de uma melhora da composição das exportações, com maior peso para produtos com mais valor por tonelada, e alta de segmentos como milho e trigo”, explicou a Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), que divulgou nesta segunda-feira, 13, o balanço das exportações.
“Soja, celulose e madeira limitaram crescimento mais forte no período”, acrescentou a entidade. O valor total exportado pelo Rio Grande do Sul em março foi de US$ 1,67 bilhão, e, assim, o agronegócio representou 66,2% do valor, e em, volume, 89,3% do total estadual.
Parceiros
Os principais parceiros comerciais do Estado em março foram a Ásia (exceto Oriente Médio) que se manteve como o principal destino, totalizando US$ 324,1 milhões e 393,3 mil toneladas. Em segundo lugar a África, com US$ 264,1 milhões e 989,8 mil toneladas, fortemente influenciada pelos embarques de milho. Já a Europa ocupou a terceira posição, com US$ 210,1 milhões, dos quais US$ 147,5 milhões destinados à União Europeia.
E quanto aos países, mudança no principal destino: o Egito assumiu a liderança, com US$ 160,4 milhões, 14,5% do valor exportado pelo agronegócio gaúcho em março. Na sequência destacaram-se China (5,9%), Filipinas (5,6%), Bélgica (4,8%) e Estados Unidos (4,1%), “quadro que reforça a diversificação geográfica da pauta, com peso simultâneo de África, Ásia, Europa e América do Norte”, destacou a entidade.
Proteína animal se destaca
No setor de proteína, aumento de 41,6% no valor e 7,7% no volume das vendas de carne bovina na comparação com o ano anterior. O motivo, conforme a Farsul, foi o retorno dos embarques à China, que não havia comprado o produto no mesmo mês de 2025.
Já a carne de frango in natura teve alta de 21,9% no valor e 12% no volume, “o que aponta uma recuperação do setor nas regiões da Ásia e da Europa, o que permite a absorção dos impactos geopolíticos no Oriente Médio”, justificou a entidade.
As Filipinas reforçaram a relevância na carne suína, principal destino do produto, que teve alta de 74,7% em valor e 70% em volume, assim como a participação importante em outros mercados como Malásia e Chile.
O volume de arroz cresceu muito mais do que o valor do produto no mercado (mais de 70% de aumento no volume contra menos de 20% no valor). “É um sinal de que o mercado externo absorve bem o produto, mas não está disposto a pagar os preços de 2025”, analisou a Farsul. O trigo teve altas de mais de 40% tanto no valor quanto no volume exportado. “É um resultado positivo apesar de se encontrar em um mercado bastante competitivo no momento, com bastante oferta internacional e alta competitividade da Argentina no setor”, foi a avaliação.
Redução na soja
“Na soja, o panorama é diferente daquele de 2025. Houve quedas de mais de 50% tanto no volume quanto no valor, com queda principalmente na soja em grão, e com o farelo perdendo mercado”, ressaltou a nota da Farsul. Já o fumo e seus derivados tiveram uma alta de 36,9% no valor e de 30,2% no volume, com Europa e Ásia como principais destinos.
E os produtos florestais tiveram quedas fortes, de 28,1% no valor e 55,4% no volume, com perdas importantes na celulose devido a redulção aos Estados Unidos, China e Itália, além de ausência de embarques de madeira em estilhas e recuos na madeira serrada e painéis. E em função da guerra comercial com os Estados Unidos, as exportações gaúchas a esse destino recuaram 53,7% em valor e 86,7% no volume.
Quedas no acumulado do ano
No acumulado de janeiro a março, as exportações do agronegócio gaúcho somaram US$ 3,06 bilhões, queda de 6,5% frente aos US$ 3,27 bilhões de igual período de 2025. Em volume, o recuo foi de 9,3%, de 5,54 milhões para 5,02 milhões de toneladas.
E a China segue como a principal parceria comercial do Estado, mas seu peso caiu em comparação com o ano de 2025. A participação asiática quase pela metade em valor: de 20,2% para 11,8%. “O acumulado de 2026 difere de 2025 por uma pauta menos concentrada nos grandes destinos tradicionais de grãos e mais apoiada em proteínas animais e mercados alternativos”, informou a Farsul.
Ganharam espaço Filipinas, Egito, Turquia, Índia e Países Baixos, impulsionados principalmente por carne suína, milho, bovinos vivos, óleo de soja, celulose, arroz e frango. Ao mesmo tempo, a Indonésia preservou relevância no acumulado, o que reforça que a Ásia segue como eixo central da inserção externa do agro gaúcho. Assim, o acumulado de 2026 difere de 2025 por uma pauta menos concentrada nos grandes destinos tradicionais de grãos e mais apoiada em proteínas animais e mercados alternativos.
