A Universidade Federal de Pelotas (UFPel), por meio do Laboratório de Genômica Estrutural, está trabalhando na edição de genomas em animais. O espaço é coordenado pelos professores Vinicius Farias Campos, Mariana Remião e Tony Silveira. A técnica consiste, basicamente na edição de genes, ou seja, na alteração do seu DNA. "Para isto colocamos os genes de uma espécie em outra, e, anteriormente, não se sabia se funcionaria ou não. Neste caso sabemos onde queremos colocar no genoma do animal", observa Campos.
Ele disse que a geração dos primeiros modelos de zebrafish (Danio rerio) geneticamente editados, estabelecendo um novo patamar de capacidade experimental em genômica funcional de vertebrados. O professor destaca que isto já é realizado na área vegetal. "Tem gente produzindo arroz editado no meio do deserto. Trabalhamos na tecnologia que envolve o conhecimento de biologia molecular, injetando no ovo do animal com um dia de vida", frisou.
Segundo ele, o grupo trabalhou nos últimos cinco anos para dominar a tecnologia e projeta futuramente desenvolver a terapia para humanos. "Em um infarto, a falta de oxigenação mata as células cardíacas. Estamos estudando uma maneira de regenerar o coração", relatou
O zebrafish é um animal que serve de modelo de estudo para esta técnica. "Ele é um modelo fácil de manipular, por isto aplicamos esta tecnologia e levaremos ainda anos para chegar em humanos", comenta. Campos conta que ex-alunos da universidade criaram uma empresa para oferecer a tecnologia para estudos de qualquer doença. "É possível a realização de estudo de edição de genomas para casos como Alzheimer ou questões relacionadas a fertilidade", exemplificou.
Ele confirmou que em 2019 o projeto conseguiu recursos da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), para, em colaboração com a Universidade do Estado de São Paulo (Unesp), desenvolver um modelo de edição de genomas para doenças cardíacas. "Além da pesquisa da universidade, tem a empresa que oferece o conhecimento para a comunidade em geral, que é o que batalhamos para que o resultado dos estudos atinjam as pessoas", assinalou.
