Implantação do projeto TRI Conta Comigo é fruto de uma parceria entre a prefeitura e instituições do sistema de justiça e proteção
Serviços vão desde o primeiro acolhimento até o encaminhamento necessário para garantir a proteção e os direitos de mulheres que foram vítimas de violência doméstica
É preciso mudar a forma como meninos são educados, como homens lidam com frustração, posse e poder, e como a sociedade reage aos primeiros sinais de violência. Mudar a forma como até a mulher mais simples do nosso povo se enxerga no contexto. Prevenir feminicídio é fazer o que realmente importa: impedir que o crime aconteça. Não é apenas punir depois. É transformar antes.
Agora, além da prisão, vem o desafio mais urgente: proteger essa mulher. A experiência mostra que a cadeia nem sempre é o fim da história. Em algum momento ele estará de volta às ruas — como já esteve, apesar de tantos crimes. O Estado, a rede de proteção e a sociedade precisam agir para que essa jovem não volte a viver sob ameaça. Correntes foram quebradas naquele dia. O que não pode continuar preso é o nosso dever de indignação, vigilância e responsabilidade coletiva.
A polícia faz a sua parte, mesmo que o estado engatinhe no sentido de deixar policiais suficientes, em todo o RS, exclusivamente para este tipo de crime. Mas dos mais de 13 mil pedidos de proteção de mulheres vítimas de violência, no RS apenas 803 homens estão com tornozeleira eletrônica. E as redes de proteção são igualmente falhas na maioria das cidades gaúchas.