Irmãs apostam em second hand de cabelos em Porto Alegre

Jerusa e Valesca Nowitski transformam demanda de clientes em negócio de extensões capilares usadas

Irmãs e sócias, Jerusa e Valesca Nowitski identificaram uma demanda das clientes e transformaram a ideia em uma nova frente de negócio no salão
Irmãs e sócias, Jerusa e Valesca Nowitski identificaram uma demanda das clientes e transformaram a ideia em uma nova frente de negócio no salão Foto : Hair Tempple / Divulgação / CP

Observar um problema recorrente entre as clientes e enxergar nele uma possibilidade de negócio faz parte da rotina de quem empreende. Foi assim que as irmãs e hairstylists Jerusa Nowitski e Valesca Nowitski, sócias do Hair Tempple, em Porto Alegre, decidiram criar um mercado de second hand para extensões capilares.

A ideia nasceu de uma situação comum no salão: mulheres que queriam trocar o mega hair, mudar a cor ou buscar outro resultado, mas hesitavam diante do investimento já feito nos fios que seriam retirados. “É um material caro e que, muitas vezes, ainda pode ser aproveitado. A cliente quer trocar, mudar a cor ou buscar outro resultado, mas fica pensando no que fará com o cabelo que já tem. A ideia do second hand surgiu justamente para criar uma nova possibilidade para esse material”, explica Jerusa.

A partir dessa percepção, as irmãs estruturaram um modelo em que extensões de cabelos humanos já utilizadas podem ser avaliadas, higienizadas e colocadas novamente à venda, desde que ainda tenham condições para uma nova aplicação.

Da necessidade da cliente a uma oportunidade de negócio

Neste primeiro momento, os cabelos serão recebidos pelo salão em sistema de consignação. A proprietária apresenta o material e informa quanto gostaria de receber. A partir daí, é feita uma avaliação técnica e comercial antes que os fios sejam aceitos para revenda.

Comprimento, quantidade, cor, conservação, processos químicos anteriores e possibilidades de reutilização estão entre os critérios considerados. Para Valesca, estabelecer parâmetros também é necessário porque o valor atribuído pela antiga proprietária nem sempre corresponde ao preço que aquele material pode alcançar depois de usado.

“Existe também uma questão emocional. Às vezes, a pessoa investiu muito naquele cabelo e ainda usa esse valor como referência. Mas precisamos avaliar o estado atual, a procura por aquela cor, o comprimento e para quais finalidades ele ainda pode ser indicado”, afirma.

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Os fios aprovados passam por higienização e, quando necessário, por tratamentos e pequenos ajustes. A intenção das empreendedoras é formar gradualmente um estoque com diferentes tipos de cabelo e ampliar as possibilidades oferecidas às clientes.

Nem todo cabelo disponível para revenda precisa ser utilizado em uma aplicação completa. As extensões podem servir para aumentar o volume dos fios, complementar faixas novas, formar apliques removíveis ou ser usadas em penteados para festas e outras ocasiões.

Essa flexibilidade também foi incorporada ao modelo de negócio. “Às vezes, uma faixa ou uma pequena quantidade já resolve a necessidade e prolonga o uso do cabelo que a cliente já tem”, diz Jerusa. Para quem compra, o second hand pode representar uma alternativa para experimentar extensões ou buscar uma solução pontual sem investir, necessariamente, em um conjunto completamente novo.

Economia circular chega às extensões capilares

A proposta leva para o segmento da beleza uma lógica que ganhou espaço principalmente na moda, com brechós, plataformas de revenda e circulação de peças usadas. No caso das extensões, fios que poderiam permanecer guardados ou perder a utilidade voltam ao mercado e têm sua vida útil prolongada. Mas as sócias destacam que a avaliação profissional e a transparência sobre as condições do material são essenciais.

“Um cabelo novo e um cabelo que já foi utilizado possuem características diferentes. A cliente precisa saber o que está comprando e para qual finalidade aquele material é indicado”, afirma Valesca. O serviço ainda está em fase inicial, e critérios comerciais poderão ser ajustados pelas empreendedoras conforme a procura e o comportamento das consumidoras.

Ao transformar uma dúvida recorrente das clientes em um serviço, as irmãs abrem uma nova frente dentro de um negócio que já conhecem de perto. Mais do que incorporar o conceito de economia circular, a iniciativa mostra uma estratégia comum a muitos pequenos negócios: observar como o consumidor se comporta, identificar uma necessidade ainda sem resposta e testar uma solução dentro da própria operação. “Estamos criando uma alternativa para uma situação que já existia no salão. Quando o cabelo ainda tem condições de uso, faz sentido que ele possa ganhar uma nova história”, resume Jerusa.