Quatro mulheres fazem do empreendedorismo um recomeço

Entre as 52 participantes da fase de aceleração do Energia Feminina, elas transformam desafios pessoais em negócios, autonomia e apoio coletivo

Com histórias marcadas pela resiliência, mulheres mostram na prática como a busca pela autonomia financeira transformou suas vidas
Com histórias marcadas pela resiliência, mulheres mostram na prática como a busca pela autonomia financeira transformou suas vidas Foto : Assessoria de Comunicação / Divulgação / CP

Entre o cansaço de uma rotina que não cede e a urgência de colocar as contas em dia em um Rio Grande do Sul ainda em reconstrução, o projeto Energia Feminina, iniciativa do Instituto Equatorial em parceria com o Centro Integrado de Estudos e Programas de Desenvolvimento Sustentável (CIEDS), ganha novos contornos.

Após uma primeira fase que capacitou 112 mulheres, o programa agora foca na etapa de aceleração, que oferecerá mentorias e financiamentos para 52 delas que estarão nesta nova fase para desenvolver planos de negócio. No entanto, o que sustenta o avanço das empreendedoras vai além do conhecimento técnico. Uma rede invisível de apoio mútuo é capitaneada por lideranças que se revelaram de dentro da própria turma.

Moradora de Eldorado do Sul, uma das cidades mais atingidas pela enchente de 2024, Sabrina Rodrigues Alves de Ávila Gomes sabe o que significa reconstruir. À frente do CHIC | Ateliê Criativo, voltado para papelaria e encadernação artesanal, Sabrina viu a trajetória nascer da vontade de transformar o trabalho manual em renda e propósito. Mulher negra e mãe de dois filhos, sendo um deles atípico, precisou enfrentar o desastre climático e a insegurança financeira. Para ela, empreender representa independência, crescimento e transformação.

A resiliência de Sabrina se encontra no caminho de Dayana Carolina Ditrolio Soto. Em dezembro de 2020, no auge da pandemia, a imigrante venezuelana cruzou a fronteira caminhando pelo mato, sob chuva, fugindo da crise no país e lutando contra um câncer de pâncreas. Hoje, curada há quase cinco anos, Dayana encontrou no Brasil a necessidade de um novo começo. Formada em Ciências Contábeis, decidiu investir em podologia e estética, o que sempre gostou. Mãe de três, sendo um deles que exige acompanhamento constante, busca no empreendedorismo a autonomia profissional para conciliar trabalho com família.

Barreiras como estas poderiam paralisar qualquer profissional, mas no projeto Energia Feminina o efeito foi reverso. Sabrina e Dayana utilizam a própria experiência de superação para gerar empatia e fortalecer o grupo. “O mais bonito do projeto é ver o empreendedorismo deixar de ser uma jornada solitária para virar protagonismo coletivo. Quando elas se ajudam e celebram as pequenas vitórias umas das outras, elas não estão apenas salvando negócios, estão reconstruindo a confiança de cada mulher ali dentro", destaca Luciana Hoffmann, analista de Responsabilidade Social da CEEE Equatorial.

Enquanto Sabrina e Dayana construíam a fortaleza, a prática ganhava forma nas mãos de Claudete Silva dos Santos. O sonho de ser costureira, deixado de lado pelos caminhos da vida, foi resgatado na pandemia, quando começou a confeccionar máscaras. Com a compra de uma máquina doméstica, ela e a filha criaram a "Oficina de Costura da Clau". Hoje, a maior habilidade é transformar o que seria descartado em peças praticamente novas. Claudete traz para o grupo a sabedoria de que nunca é tarde para realizar um sonho.

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Ao mesmo tempo, a organização comercial do grupo ganha corpo com Sabrina Barbosa Pacheco. Filha de empreendedores – o pai trocou a carteira assinada para vender quindins em casa –, ela traz a veia das vendas desde muito cedo. Dona de uma futura marca de aromatizadores e cosméticos veganos, Sabrina aprendeu com os tropeços de uma antiga loja virtual, que esbarrou na falta de gestão, para mudar a visão de mercado no projeto Energia Feminina. Nele, assumiu uma liderança tática.

Da esquerda para direita: acima Claudete e Dayana; abaixo Sabrina Rodrigues e Sabrina Barbosa | Foto: Assessoria de Comunicação / Montagem CP

Essas quatro trajetórias atuam como pilares para o projeto. Mais do que negócios individuais, a iniciativa investe no protagonismo feminino. No horizonte do programa, o ápice será uma feira de negócios aberta ao público, onde as empreendedoras poderão expor e se inserir de fato no mercado. Ali, a papelaria de Sabrina Ávila, os serviços de Dayana Soto, as costuras de Claudete dos Santos e os cosméticos de Sabrina Pacheco serão as vitrines de uma vitória que, antes de ser comercial, é profundamente coletiva.

Sobre o projeto

Em sua segunda edição, o Energia Feminina está presente nos sete estados de atuação do Grupo Equatorial — Maranhão, Pará, Piauí, Alagoas, Amapá, Goiás e Rio Grande do Sul —, reafirmando o compromisso do Instituto Equatorial (@institutoequatorial), braço social do grupo, com o desenvolvimento dos territórios onde atua. A instituição desenvolve programas estruturados a partir da escuta ativa, de parcerias e da geração de impacto social duradouro, com foco na redução das desigualdades, no fortalecimento do protagonismo local e na ampliação de oportunidades para mulheres em diferentes regiões do país.