Adriana Haas

O melhor amor é o da maturidade

Adriana Haas reflete sobre o impacto do autoconhecimento nos relacionamentos

Antes de buscar evolução nas relações amorosas, é essencial aprender a ficar bem sozinha
Antes de buscar evolução nas relações amorosas, é essencial aprender a ficar bem sozinha Foto : Flávia Gava / Unsplash / CP

Se eu soubesse como é muito melhor amar na maturidade, teria evitado algumas tentativas frustradas quando era mais jovem. Brincadeira, nós sabemos que só se aprende a amar na prática – e todo mundo acredita nisso. Mas o que muitas vezes não acreditamos é que, depois dos 40, amar e ser amada pode ser mais gostoso por uma série de motivos.

O primeiro deles é que a gente se conhece melhor. Na semana passada, estava conversando com uma amiga que nunca se casou, embora alguns de seus relacionamentos pudessem ter levado a isso. Mas não levaram, em grande parte, porque ela sempre “escapou” das inevitáveis adversidades de uma relação. Quando elas apareciam, minha amiga terminava e os problemas ficavam para trás – assim como as possibilidades de se aprofundar.

Só que agora, na maturidade, ela já conhece esse padrão de comportamento e decidiu que não o queria mais. Então, diante de um descompasso no relacionamento atual, teve a consciência de parar para refletir antes de repetir o padrão. Conversou com o parceiro e decidiram fazer as adaptações necessárias para continuarem juntos. O resultado é que a relação atingiu outro patamar de intimidade, admiração e reconhecimento mútuos.

Outro motivo é que não estamos mais dispostas a negociar nossos desejos em troca de apreciação. Não é que os(as) parceiros(as) deixem de ser importantes: nós é que passamos a nos dar mais importância na relação. Isso nos estimula a buscar o equilíbrio entre o que damos e o que recebemos, que costuma ser desregulado durante os anos da juventude, quando fazemos demais em troca de amor e admiração.

A chegada da maturidade, junto com a transição hormonal da menopausa, tem o poder de “descortinar” relações desequilibradas que a gente sustenta à custa de esforço excessivo e até de sofrimento. Como estamos entrando em uma nova fase, nada melhor do que deixar para trás o que não serve mais.

E ainda tem outro motivo: na maturidade, passamos a ter mais consciência sobre os nossos limites e começamos a fincar pé neles. Coisas que a gente relevava para não causar confusão assumem seu tamanho real e passam a ser motivo de irritação. Em vez de buscar um remedinho para acalmar, talvez seja o momento de colocar uma lupa sobre aquela situação e analisar se os seus limites não estão sendo ultrapassados – pelos outros e por você mesma.

Para conseguir esses “benefícios” que nos predispõem a um amor honesto e gostosinho nos anos da maturidade, é preciso antes fazer um trabalho solo. Aprender a ficar bem sozinha, cultivar outros relacionamentos que nos façam crescer (e colocar os que não fazem em seus devidos lugares), buscar novos interesses, alimentar a paixão pela vida. Isso nos torna mulheres mais interessantes não apenas para possíveis parceiros(as), mas para aquela mulher que a gente enxerga no espelho – e que vamos aprendendo a amar cada dia mais. Assim, jamais estaremos mal acompanhadas.


Adriana Haas é jornalista e escritora. Especialista em Neurociência e em Psicologia Positiva, está concluindo a pós-graduação em Cuidado Integral de Mulheres Maduras. Pesquisa sobre a maturidade feminina há nove anos e tem dois livros sobre o tema.