Cinco cores que prometem renovar a moda nos próximos anos

WGSN revela as apostas para o outono/inverno 2028/2029, com tons que vão do vermelho profundo ao amarelo luminoso e valorizam os contrastes

O roxo profundo ganha destaque em acessórios e combinações com tons neutros, uma das propostas cromáticas da WGSN para o inverno 2028/2029
O roxo profundo ganha destaque em acessórios e combinações com tons neutros, uma das propostas cromáticas da WGSN para o inverno 2028/2029 Foto : Julie Kegels / WGSN / CP

As cores que devem ganhar destaque na moda no outono/inverno 2028/2029 começam a revelar uma temporada marcada por contrastes, referências à natureza e uma relação mais emocional com o vestir. A WGSN, empresa especializada em previsão de tendências, apresentou cinco tonalidades que traduzem esse movimento, reunindo vermelhos profundos, amarelos luminosos, verdes azulados, laranjas intensos e roxos escurecidos em uma paleta que combina familiaridade e ousadia.

O estudo, divulgado em outubro de 2026, aponta que a escolha das cores tende a assumir um papel cada vez mais importante na expressão da individualidade. Em um cenário no qual os consumidores buscam produtos duráveis e conexões emocionais com aquilo que compram, as tonalidades deixam de ser apenas uma questão estética para comunicar sensações de conforto, autenticidade e pertencimento. Essa mudança também aparece na valorização de texturas, acabamentos envelhecidos e materiais que evidenciam as marcas do tempo.

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A convivência de elementos opostos

Para a WGSN, uma das características centrais da temporada será a convivência entre elementos aparentemente opostos. Cores suaves poderão aparecer ao lado de nuances altamente saturadas, enquanto tonalidades escuras ganharão pontos de luminosidade em combinações inesperadas. A proposta não é abandonar a sofisticação, mas ampliar as possibilidades de composição, permitindo que uma mesma cor assuma diferentes personalidades conforme os materiais e as demais tonalidades escolhidas.

Do vermelho terroso ao roxo profundo, as cinco cores apontadas pela WGSN para o outono/inverno 2028/2029 valorizam contrastes, texturas e referências à natureza | Foto: WGSN / Divulgação / CP

As cinco cores do outono/inverno 2028/2029

Bloodstone: o vermelho ganha profundidade

O vermelho continua presente nas previsões de moda, mas aparece em uma interpretação mais densa, terrosa e menos convencional. Batizada de Bloodstone, a tonalidade remete aos pigmentos de óxido de ferro e à aparência de materiais naturais, trazendo uma intensidade que não depende do brilho para chamar a atenção. Na análise da WGSN, essa cor está associada à vitalidade humana, à autenticidade e à valorização do trabalho artesanal, especialmente de processos que deixam marcas visíveis nos produtos.

Ao contrário dos vermelhos abertos, que costumam assumir o protagonismo imediato de uma produção, o Bloodstone oferece possibilidades de combinações mais profundas. Na moda, pode ser explorado em peças de alfaiataria, casacos estruturados, vestidos e acessórios, especialmente quando associado a tecidos encorpados e acabamentos que valorizam sua intensidade. A aproximação com marrons, dourados e roxos escuros também permite construir produções sofisticadas sem recorrer exclusivamente ao preto.

Liminal yellow: um amarelo entre o clássico e o inesperado

O Liminal Yellow representa uma das propostas mais particulares da previsão. Trata-se de um amarelo luminoso, com nuances que se aproximam do verde, mas com aparência menos vibrante do que os tons cítricos tradicionais. Seu nome faz referência à ideia de transição, um estado intermediário entre diferentes momentos, sensações ou possibilidades. Segundo a WGSN, a tonalidade traduz justamente essa dualidade ao reunir características acolhedoras e, ao mesmo tempo, ligeiramente inquietantes.

Na prática, o amarelo poderá aparecer em composições que exploram contrastes pouco usuais. A consultoria sugere sua aproximação com cinzas escuros, azuis acinzentados e verdes terrosos, criando uma estética que mistura referências industriais e naturais. Outra possibilidade é a combinação com tons delicados de rosa, em uma interpretação mais ousada das produções românticas. Nos acessórios e nas peças de vestuário, acabamentos brilhantes ou tecidos de aparência desgastada ajudam a modificar a percepção da cor, que pode assumir tanto uma proposta sofisticada quanto uma linguagem jovem e experimental.

Elemental verdigris: o verde azulado valoriza as marcas do tempo

Entre o azul e o verde, o Elemental Verdigris surge como uma tonalidade de aparência suavemente desbotada, inspirada na pátina que se forma sobre determinadas superfícies metálicas. A referência ao envelhecimento não é casual: a WGSN identifica uma valorização crescente de materiais que demonstram resistência, preservação e sinais de uso, em oposição à busca por uma aparência permanentemente nova.

Essa característica aproxima a cor de uma estética mais orgânica, na qual pequenas irregularidades e acabamentos envelhecidos passam a fazer parte da identidade visual das peças. No vestuário, a tonalidade pode ser interpretada em tecidos lavados, jaquetas utilitárias, tricôs e acessórios com aparência vintage. Sua posição intermediária entre duas famílias cromáticas também amplia as possibilidades de combinação, especialmente com neutros, marrons e outros tons inspirados na natureza.

A presença do verde azulado reforça ainda a importância das duas famílias na pesquisa da consultoria. Na análise das imagens utilizadas para construir a previsão, os azuis representam 23,2% das referências cromáticas, enquanto os verdes correspondem a 22,5%. Os percentuais se referem ao material visual estudado pela WGSN, e não à participação dessas cores nas vendas de moda.

Healing turmeric: o laranja inspirado na cúrcuma

O laranja ganha uma versão quente e luminosa com o Healing Turmeric, tonalidade inspirada na cúrcuma, especiaria conhecida pela coloração amarelo-alaranjada. A proposta combina a energia dos tons intensos com uma sensação visual de acolhimento, refletindo o interesse por cores associadas ao otimismo e ao bem-estar. Na previsão da WGSN, a nuance aparece como uma alternativa capaz de acrescentar vitalidade às composições sem necessariamente recorrer a contrastes excessivos.

Por estar situada entre o amarelo e o laranja, a cor oferece diferentes possibilidades de utilização no vestuário. Em tricôs, casacos e peças de inverno, pode funcionar como ponto de destaque em produções construídas com marrom, cinza ou verde profundo. Já em bolsas, sapatos e outros acessórios, permite introduzir luminosidade em combinações predominantemente escuras, uma das direções apontadas para a temporada.

A consultoria também identifica uma mudança na presença dessas famílias cromáticas nas referências pesquisadas. Enquanto o amarelo apresenta redução de 4,2 pontos percentuais em relação ao outono/inverno 2027/2028, o laranja registra crescimento de 0,3 ponto percentual. O movimento não significa o desaparecimento do amarelo, mas uma transformação na maneira como a cor deverá ser trabalhada, com versões mais versáteis e menos dependentes de uma estação específica.

Smoky amethyst: o roxo escuro pode substituir o preto

O Smoky Amethyst, ou ametista esfumaçada, completa a seleção com uma proposta de sofisticação discreta. Inspirado nas características minerais da ametista, o tom apresenta uma mistura de roxo profundo e nuances acinzentadas, criando uma aparência que pode variar conforme a iluminação e a textura dos materiais. A WGSN destaca justamente essa capacidade de transitar entre diferentes interpretações, do natural ao futurista, sem perder a identidade.

Uma das principais possibilidades de utilização está na substituição dos neutros tradicionais. Por apresentar baixa luminosidade e profundidade cromática, o Smoky Amethyst pode desempenhar uma função semelhante à do preto ou do marrom em produções de inverno, acrescentando uma camada de cor sem comprometer a versatilidade. A combinação com cinza, verde e lilás produz resultados mais discretos, enquanto a aproximação com vermelho, roxo intenso e acabamentos metalizados permite explorar uma estética mais dramática.

Os materiais também terão papel importante nessa interpretação. Em veludos e tecidos de superfície fosca, a tonalidade tende a transmitir uma sensação de aconchego, enquanto acabamentos acetinados, metalizados e brilhantes podem destacar seu caráter sofisticado e contemporâneo. A proposta acompanha o aumento do interesse por cores escuras identificado pela WGSN, que registrou crescimento de 5,8 pontos percentuais na participação dessas tonalidades entre as imagens de referência analisadas para as duas temporadas.

Contrastes e texturas nas combinações

Além das cinco tonalidades, o estudo apresenta mudanças na maneira como as cores poderão ser utilizadas. As combinações monocromáticas e os neutros continuam relevantes, mas passam a dividir espaço com contrastes mais evidentes, nos quais amarelos ácidos, laranjas luminosos e vermelhos profundos aparecem ao lado de cores discretas. A intenção é criar composições com identidade própria, evitando tanto a uniformidade excessiva quanto a mistura sem critérios.

Outro aspecto importante está na relação entre cor e material. Superfícies foscas, tecidos de aparência envelhecida, pigmentos de inspiração natural e acabamentos metalizados podem transformar completamente a percepção de uma tonalidade. Um mesmo roxo, por exemplo, assume características diferentes quando aplicado ao veludo ou a um tecido brilhante, assim como o amarelo pode parecer mais industrial, romântico ou futurista dependendo das cores que o acompanham.

A pesquisa também aponta um crescimento de referências visuais associadas ao minimalismo e ao futurismo, enquanto as imagens classificadas como maximalistas e retrô perdem participação. Isso não significa o abandono das combinações ousadas, mas sugere uma abordagem mais criteriosa, na qual os contrastes são utilizados de maneira intencional e equilibrados por peças e tonalidades versáteis.

Embora a previsão seja voltada ao outono/inverno 2028/2029, suas propostas ajudam a compreender os caminhos que a moda poderá seguir nos próximos anos. Mais do que determinar quais cores estarão nas vitrines, a seleção indica uma valorização da individualidade, da durabilidade e da liberdade para experimentar combinações. Nesse cenário, vestir-se deixa de ser apenas uma maneira de acompanhar tendências e se torna também uma forma de expressar escolhas pessoais.