Uma longa fila se formou na manhã desta quarta-feira antes da abertura do Departamento Municipal de Habitação (Demhab) com moradores de Porto Alegre interessados em solicitar o laudo técnico de análise estrutural de moradias atingidas pela enchente de maio de 2024. Com a grande procura, o diretor-geral do órgão, André Machado, antecipou a abertura para atender as pessoas que aguardavam para fazer a solicitação em uma manhã com sol, mas com temperaturas próximas dos 11ºC.
Apesar de o prazo encerrar hoje, o Demhab não pretende deixar ninguém sem atendimento. Caso a fila persista até as 17h, horário de fechamento do departamento, aqueles que não conseguirem fazer a solicitação receberão uma senha para atendimento na sexta ou na segunda-feira.
O trabalho técnico tem como objetivo à descrição da existência de vícios estruturais e de outros fatores que interferem na habitabilidade de imóveis situados em áreas geográficas impactadas pela enchente. Também serão levantadas informações básicas para identificar os residentes e seus familiares.
“A necessidade de pedir as famílias solicitarem os laudos se deve à grande quantidade de moradias que foram atingidas pela enchente. A utilização dos laudos não serve apenas para envios ao governo federal, como também para dar uma segurança ao morador se a casa está em condições de ser habitável ou não, mesmo que seja necessário uma recuperação de maior ordem depois”, ressaltou o engenheiro civil do Demhab, Rodrigo Fabiano Montemezzo.
Após a entrega da solicitação, uma equipe vai até a residência e faz uma análise visual táctil do que está aconteceu com o imóvel. Ela observa se o dano é apenas estético, visual ou funcional ou se realmente foi atingida a parte estrutural e o imóvel está condenado.
Demhab atende moradores de residências atingidas pelas enchentes
“Quando atinge a parte estrutural, a possibilidade é de ir para o governo federal, pois o imóvel apresenta vício estrutural. Nessa situação, será feito um laudo mais detalhado, identificando quais as situações de vício estrutural presentes. Se há rachaduras nas paredes, nas vigas, nos pilares, rebaixamentos de fundações para que a Defesa Civil Nacional compreenda o dano como irreparável. Ou seja, não tem como ser reconstruída a casa, a não derrubar o sobrou e começar a reconstrução. Temos situações em Porto Alegre, que casas foram destruídas. Não sobrou nada delas. Simplesmente foram levadas pelas águas ou desabaram. Neste caso, fotos são tiradas no local para verificação da existência do imóvel e depois conferido via imagens georreferências do satélite para ver se existia uma edificação no local”, completou Montemezzo.
Até a terça-feira, 5.612 laudos já haviam sido enviados ao governo federal para avaliação e inclusão dos beneficiários no programa Compra Assistida. Destes, 3.332 famílias estão habilitadas a receberem um novo imóvel através do programa.
O Compra Assistida é um programa habitacional que oferece imóveis a famílias que tiveram suas casas danificadas ou destruídas por catástrofes climáticas. O programa é uma linha de atendimento do Minha Casa Minha Vida (MCMV) e disponibiliza imóveis de até R$ 200 mil, adquiridos pela Caixa Econômica Federal.