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Desde os pioneiros, esporte no Rio Grande do Sul tem muito dos alemães

Saiba como movimento de clubes de ginástica, o clube de futebol mais antigo do país e o primeiro gol de autor conhecido do Grêmio estão relacionados com os germânicos

Foto : O Imparcial “Supplemento Sportivo” / Reprodução do Blog A História do Futebol / CP

No esporte gaúcho, os clubes virtuosos fundados a partir dos alemães são inúmeros. Nascido em julho de 1875, em Hamburgo, na Alemanha, Johannes Christian Moritz Minnemann fundou, no sul do Rio Grande do Sul, em 1900, o Sport Club Rio Grande, a mais antiga equipe de futebol em atividade no Brasil, e cujos primeiros documentos foram redigidos “no mais puro alemão [...] em caracteres góticos”, conta a própria equipe. Registra-se no ato de fundação, porém, também a presença de ingleses, portugueses e brasileiros.

Ainda no futebol, o primeiro presidente do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense foi o descendente de alemães Carlos Luiz Bohrer, e o primeiro gol do clube de autor conhecido foi marcado por Wilhelm Kallfelz, conhecido como “Café”, nascido na cidade alemã de Merl em 1906. Ao longo das décadas, assim como em outros empreendimentos com traços da germanidade, muitos destes lugares precisaram alterar seu nome e até de atividades, acompanhando as mudanças civis e políticas de suas épocas, porém mantendo intacto o zeitgeist, termo genuinamente alemão que designa o “espírito do tempo”.

Em tempos de Jogos Olímpicos, destaca-se individualmente a figura do atleta filho de imigrantes alemães Willy Seewald, nascido em Taquara em 1900 e único gaúcho a integrar a delegação brasileira que participou das primeiras Olimpíadas de Paris, em 1924. Dois anos antes, foi ainda medalhista de ouro no lançamento de dardo nos Jogos do Centenário, competição realizada no Rio de Janeiro, e ainda três vezes campeão nacional da modalidade, entre 1925 e 1927.

No entanto, sua carreira e vida foram precoces: o chamado Admirável Lançador morreu em 1929 após uma crise de apendicite. Em Porto Alegre, outros exemplos de locais fundados por germânicos incluem o Grêmio Náutico União (GNU), Associação Leopoldina Juvenil, Clube dos Jangadeiros e Clube de Regatas Guaíba Porto Alegre (GPA). Além das famílias regulares de imigrantes, os brummers também têm impressões digitais na maioria de suas criações.

“Eles começaram a fomentar uma ideia nos demais alemães de que estes deveriam cultivar suas origens e sua cultura. Com isso, nasceu a ideia de formar grupos, até para praticar atividades que eles haviam inventado na Alemanha”, conta o professor e educador físico Leomar Tesche, doutor em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) e uma das principais autoridades acadêmicas na relação entre os imigrantes alemães e as atividades esportivas. Assim, não é difícil encontrar pelo RS as chamadas Sociedades de Atiradores, de Canto, Bolão, Ginástica, entre outras, que tanto emulam os antigos sonhos de seus pioneiros, como também mantêm acesa a chama desta história.

Fora do estado, a primeira sociedade de ginástica da América Latina foi a Deustsche Turnverein zu Joinville (Sociedade de Ginástica de Joinville/SC), datada de 1858, e o primeiro clube de jogos comunitários do Brasil é de 1821, a Sociedade Germania, no Rio de Janeiro. Em 1924, no centenário da imigração, a Federação de Associações Alemães, dirigida pelo padre Theodor Amstad, também pioneiro no cooperativismo de crédito na América Latina, identificou 332 associações e clubes germânicos no RS, segundo Tesche. Destas, 75, ou 22,5%, eram de tiro ao alvo, o maior contingente, e a maioria do total estava na Colônia de Santa Cruz, com 95.

No total, o estado contava com 600. “Principalmente no interior, um vizinho morava dez quilômetros longe do outro, então, nas sedes, os clubes eram criados para haver um encontro com seus conterrâneos”, ressaltou Tesche. Em artigo publicado no Atlas do Esporte no Brasil, editado em 2005 pelo Conselho Federal de Educação Física (Confef) e entidades estaduais, o professor destaca, por exemplo, o Movimento Turnen, seguido por 47 clubes de ginástica e exercícios físicos (Turnverein).

Por si só, ele buscava preservar “a identidade étnica dos alemães (Deutschtum) fora de seu país de origem”, consistindo em uma mescla da pedagogia de exercícios ginásticos com uma ideologia da preservação da germanidade. Fundado por Friedrich Ludwig Jahn, também conhecido como Turnvater, no começo do século XIX, perdeu força no início do XX com mudanças pedagógicas e, depois, com a nacionalização dos clubes germânicos pelo governo de Getúlio Vargas, durante a Segunda Guerra Mundial.

A incorporação dos clubes na ainda incipiente sociedade germânica em construção no RS impulsionou o desenvolvimento local. Agregando atividades esportivas, mas também música, dança, gastronomia e ações festivas, estes lugares, geralmente vinculados às igrejas católica e evangélica, com os luteranos, ainda que não fosse a regra, também tiveram o papel de apresentar a pessoas de outras localidades o melhor que havia localmente. Ainda hoje, é comum no interior gaúcho os clubes serem os responsáveis por organizar festas e bailes comemorativos, chamando a atenção de turistas que visitam tais locais.

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