Eleições

Com críticas e alfinetadas, debate entre candidatos à prefeitura de Porto Alegre destaca proteção contra cheias

Três dos quatro convidados também abordaram temáticas envolvendo saúde, educação, turismo e concessão do DMAE

Camozzato, Rosário e Melo participaram do painel promovido pelo Seprorgs e Instituto Caldeira
Camozzato, Rosário e Melo participaram do painel promovido pelo Seprorgs e Instituto Caldeira Foto : Pedro Piegas

Propostas sobre a reconstrução da cidade após as enchentes de maio foram o tema central no debate entre os candidatos à prefeitura de Porto Alegre desta terça-feira. Apesar das críticas e alfinetadas, Felipe Camozzato (Novo), Maria do Rosário e Sebastião Melo (MDB) conseguiram discutir temas como saúde, educação, turismo e desenvolvimento da cidade e apresentar suas visões de governo no painel promovido pelo Seprorgs (Sindicato das Empresas de Informática), Instituto Caldeira e organizado pela AGF Advice. A candidata do PDT, Juliana Brizola também foi convidada, mas não compareceu.

As ações voltadas para o sistema de proteção de cheias estiveram entre as principais perguntas e respostas, mesmo quando não questionados diretamente sobre isso. Camozzato defendeu a reformulação de um novo sistema de defesa, mais moderno e com base no que engenheiros teriam pautado que seria uma cota para “daqui a 100 anos”.

Se posicionou favorável à derrubada do Muro da Mauá, alegando que a estrutura não teria funcionado durante as enchentes e, por isso, a necessidade de um novo projeto que proteja também os cais, possibilitando maior integração do Centro Histórico com as construções e a adoção de um sistema de contemplação para o Guaíba.

Rosário propôs alternativas que tenham “diálogo com base ambiental e soluções que considerem esse aspecto. Prometeu iniciar do básico, através da manutenção do sistema já existente, com a criação de um plano de prevenção e contingência. Concordou com Camozzato quando o mesmo relembrou que parte da cidade alagou não em função das águas que vieram do rio, mas sim do extravasamento do esgoto pluvial, abordando a necessidade de melhor manuseio do lixo.

Já Melo trouxe o tema ainda na sua apresentação inicial, sob necessidade se discutir "a verdade a todo momento", em referência às críticas de Rosário de má gestão. Relembrou que o sistema de proteção de cheias é uma construção da década de 60 (e, por isso, passou por vários governos) afirmando que desde a tragédia a prefeitura já orçou obras para substituição de comportas e aumento dos diques, mas isso e demais obras necessárias exigem valores elevados.

Recursos esses que só viriam do caixa da prefeitura, porque os anúncios do governo federal não estão chegando. "Eu vou colocar um ‘anunciometro’", afirmou ele, em referência ao que teria sido dito e não feito.

Saúde, educação e turismo

Em um bloco sobre eixos gerais, cada um dos candidatos respondeu sobre um tema. Na questão da saúde, para desafogar as filas de espera para consultas, Camozzato defendeu a implementação da telemedicina. "Funcionou na pandemia e vai funcionar no novo normal. Podemos resolver a triagem de pacientes, laudos, exames", disse.

Rosário, quando questionada sobre políticas para melhorar na educação na cidade, defendeu o investimento na educação básica, mantendo a criança na escola, oferecendo alimentação de qualidade, despertando ainda na primeira fase da criança e adolescência a utilização da criatividade através da artes e ciência e permanência desse aluno na sala de aula.

Defendeu, para isso, a integração entre o ensino básico e o ensino superior de qualidade "aproveitando os saberes"; a formação continuada dos professores e integração dessa educação junto com as famílias. "Quanto menos excluirmos na educação, mais teremos pessoas capacitadas para fazermos pessoas transformadoras nas suas comunidades".

Já Melo falou sobre o turismo, afirmando que para alavancar o setor na cidade é crucial o investimento de recursos públicos em eventos. "Alguns me criticaram por colocar dinheiro para realização do South Summit. Botei e vou colocar mais". O prefeito se comprometeu, caso continue na gestão, a criar uma secretaria de eventos, junto com a pasta do turismo.

Outros temas como transporte público e a concessão do DMAE também foram pautados. O primeiro, Rosário não respondeu, utilizou seu tempo para responder questões voltadas à reconstrução e tecer algumas críticas aos adversários, em especial Melo. Já sobre o DMAE, o prefeito garantiu que, se eleito, a concessão parcial do DMAE estará na pautada da Câmara de Vereadores ainda no primeiro semestre.

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Críticas e ausência de Juliana

Como o painel não permitia a interação direta entre os candidatos, a troca de farpas ficou limitada aos espaços de fala de cada postulante. Camozzato, que abriu o painel, lamentou a ausência da concorrente de Juliana, mas deixou de afirmar que era essa “a quarta vez ela que coloca atestado. Ela fala de diálogo mas não vem dialogar”.

A fala incomodou o vice, Dr. Thiago Duarte, que acompanhou parte do debate e tentou, junto da produção, antes do início do debate, que ele participasse. Juliana tem problema de coluna e já teve de ser hospitalizada. Também coube ao candidato do Novo as principais críticas ao PT.

Rosário, em compensação, direcionou os ataques à Melo e sua gestão, relembrando as quatro trocas na secretaria de Educação e o incêndio na pousada Garoa (que resultou na morte de 11 pessoas). “A gestão atual tem três marcas: três meses de alagamento, promessas não cumpridas e um mau gasto do dinheiro público”, afirmou a candidata.

O prefeito, que em outros momentos já havia respondido às investidas dos dois candidatos, fechou sua fala afirmando que "não poderia deixar de dizer que, eu não estou no mensalão, nem no petrolão, nem na lista de empreiteiros. Quando teve problema na educação, quem mandou investigar fui eu. Meu jeito de governar não é colocando para baixo do tapete igual o PT faz”.

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